Segunda-feira, 19 de Agosto de 2019
Editorial

Estímulo ao consumo


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19/07/2019 às 08:28

Demorou, mas tudo indica que o governo federal vai mesmo tomar uma medida de vulto para combater a estagnação econômica que há tempos aflige os brasileiros. A liberação de saques de até 35% do saldo do FGTS e do PIS deve injetar mais de R$ 60 bilhões na economia nacional, estimulando o consumo e aliviando as contas de milhões de pessoas, sobretudo para os 13 milhões que estão desempregados. A medida, que ainda está sendo trabalhada pela equipe econômica, deve ser oficializada na próxima semana.

O estímulo também vai ajudar a melhorar os números da economia no final do ano, com potencial para elevar um pouco o PIB nacional que, atualmente, caminha para um resultado muito próximo de zero. Pode, inclusive afastar de vez o fantasma de uma nova recessão, que vinha ganhando corpo nos últimos meses.

Vamos esperar, é claro, que tudo seja feito com bastante cautela e responsabilidade para que o tiro não saia pela culatra. Empresários da construção civil temem que a retirada de uma parcela tão significativa do FGTS comprometa o financiamento da construção já que os recursos do fundo são essenciais nessa área. Endividadas e sem expectativa de uma retomada em curto prazo no mercado imobiliário, construtoras temem o agravamento da situação caso faltem recursos para o crédito imobiliário.

Há ainda a questão social do déficit habitacional. O problema pode ser combatido por meio do fortalecimento do programa Minha Casa Minha Vida, que depende fundamentalmente do dinheiro que vem do FGTS. Até agora não houve nenhum sinal do governo em relação à continuidade do programa, o que tem suscitado reclamações por parte de parlamentares.  

Por essas e outras, é possível que a parcela disponibilizada para saque seja um pouco menor que o inicialmente anunciado pelo governo. Do ponto de vista estratégico, a liberação dos saques também terá o efeito de desviar um pouco a atenção de temas espinhosos como a suspensão de investigações envolvendo dados do Coaf, a indicação à embaixada do Brasil nos Estados Unidos e os desencontros a respeito da reforma tributária, para citar apenas alguns. De qualquer forma, o comércio já está em polvorosa, lojistas fazem planos para turbinar as vendas na onda de consumo que deve acompanhar a liberação dos saques.


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