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Editorial

Estrabismo administrativo

25/07/2017 às 21:43 - Atualizado em 25/07/2017 às 22:59
Show refinaria

Um Estado de dimensões continentais como o Amazonas precisa ter homens públicos com uma visão que vá muito além dos nossos problemas mais óbvios, ou como dizia um antigo prefeito de Manaus, um estrabismo administrativo.

Em outros termos, um gestor da máquina pública deve manter atenção no dia a dia, mas também projetar o que pode ser nosso futuro. Até hoje exemplo de administrador público, o ex-governador Eduardo Ribeiro modificou a paisagem de Manaus na virada do século embalado pela riqueza proporcionada pela economia gomifera, mas não deixou de construir obras que só hoje fazem sentido. O caso mais acabado disso é o Teatro Amazonas, hoje símbolo maior - talvez ao lado dos bumbás de Parintins e a gaivota da Zona Franca de Manaus - da nossa cidade.

Pois este estrabismo administrativo também pode ser exercido numa outra perspectiva, posto que neste espaço já mostramos que 67% dos eleitores estão concentrados em Manaus e nos municípios da Região Metropolitana, o que tem concentrado, por sua vez, a atenção dos atuais candidatos ao governo do Estado.

Do ponto de vista eleitoral, da disputa pelo voto, a postura é compreensível, mas uma vez ungido pelo voto, o novo governador terá de se haver com problemáticas complexas que acontecem nos municípios do interior do Estado.

Hoje, por exemplo, enquanto todos nós de Manaus estamos preocupados com a violência em cada esquina, sofrendo com um frio na barriga a cada motocicleta que se aproxima, navegadores estão as voltas com o crescimento da pirataria em nossos rios. Isso mesmo, há piratas agindo livremente nos rios da Amazônia.

A CRÍTICA mostra hoje, a partir de reportagens da agência Estadão Conteúdo, que os rios do Amazonas estão lotados de piratas que agem exatamente como os bandidos dos rincões dos bairros de Manaus. São violentos, matam e saqueiam com uma ferocidade de traficantes de drogas de organizações criminosas. É para essa situação que o novo governador terá que dispensar a atenção de um de seus olhos.

Conforme levantamento apresentado na reportagem, os trechos entre Manaus e Porto Velho (RO) e Manaus e Belém são os mais perigosos de toda a Amazônia e neles os piratas conseguiram dar um prejuízo que chegou a R$ 100 milhões no ano passado.