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Editorial

Estratégia no comércio exterior

11/03/2019 às 08:22
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Com a economia mundial ainda tentando voltar aos trilhos depois dos solavancos dos últimos anos, um dos grandes desafios do Brasil para superar sua própria crise é manter o comércio internacional em alta, garantindo a entrada dos dólares necessários para manter o equilíbrio e saúde da economia. O desafio se torna maior porque alguns dentre aqueles que já foram os principais compradores de nossos produtos estão imersos em crises muito piores que a nossa. É o caso Argentina e da própria Venezuela.

No caso específico da Argentina, o valor total das exportações para o país vizinho caiu mais de 40% no primeiro bimestre deste ano na comparação com igual período do ano passado. O problema afeta principalmente os setores automotivo, metalurgia e derivados de petróleo. Afeta também a Zona Franca de Manaus, que já teve a Argentina no top 5 dos principais países compradores. Eletroeletônicos e motocicletas, exatamente os dois principais segmentos do modelo industrial amazonense são os produtos que já tiveram a Argentina como destino relevante.  No caso da Venezuela, a Zona Franca é um dos  centros industriais do País que sente com maior intensidade a perda de um comprador tradicional de produtos aqui fabricados.

Com o problema cambial assolando a economia dos hermanos e a queda drástica nas vendas para lá, cabe ao Brasil buscar novos destinos, fechar acordos bilaterais e intensificar o comércio internacional, levando em conta princípios técnicos, com gestão profissional dos negócios. Seria muito bom para o País se o governo promovesse essa agenda sem “viés ideológico” mesmo. Mas não é o que tem ocorrido. O Brasil não está em condições de escolher parceiros. É preciso saber vender para quem estiver disposto a comprar. A lógica é bastante simples. Tanto a corrente de comércio como a própria política externa do Brasil acontece de costas para a América Latina. Nossos vizinhos, com quem partilhamos o continente, deveriam ser nossos clientes preferenciais. Daí a urgência de fortalecer o Mercosul e tratar o bloco de acordo com a relevância estratégica adequada. O estreitamento  das relações comerciais do Brasil com antigos parceiros e a conquista de espaço em novos mercados traria benefícios diretos também à Zona Franca de Manaus, pois novos horizontes e possibilidades  surgiriam.