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Editorial

Eterno potencial da flora regional

03/01/2018 às 21:00 - Atualizado em 04/01/2018 às 01:09
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O jucá é uma planta largamente usada como medicamento em toda a Amazônia, seja como antiinflamatório, antiséptico ou outras aplicações. A comprovação de suas propriedades especiais por parte do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa) que o aponta como eficaz no tratamento da Leishmaniose é mais uma demonstração do potencial gigantesco da flora regional. Um potencial tão grande que a Zona Franca poderia ter um polo farmacêutico forte, com empresas produzindo medicamentos a partir de substâncias presentes em nossa biodiversidade. Esse poderia ser o segmento mais importante do modelo, imune à competição internacional pois teria como base matérias-primas exclusivas.

Infelizmente, mesmo com tanto potencial, a indústria farmacêutica de base amazonense está muito longe de ser realidade. As razões para isso são muitas, mas a que parece mais determinante é o próprio desinteresse das forças políticas e econômicas locais em mudar a face de um modelo que os beneficia há tanto tempo. Vitória da inércia.

Além disso, falta conexão entre a pesquisa e a indústria. Apenas para citar um exemplo, há mais de uma década uma pesquisadora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) criou um novo cimento para preenchimento de canal dentário a partir de uma associação de pó e líquido, que endurecem quimicamente ao se misturar. O pó especial é resultado de uma combinação de substâncias químicas, enquanto o líquido contém fitoterápicos da região amazônica como o óleo de copaíba. O novo produto, uma inovação em tratamento dentário, nunca chegou à produção em larga escala. Teve o mesmo destino do couro de tambaqui, cujo aproveitamento comercial foi testado e aprovado pelo Inpa, o mesmo que agora atesta as propriedades medicinais do jucá.

Falta estabelecer um elo entre a inovação em estado bruto e a produção, que vai entregar essas inovações em forma de produtos ao consumidor final. Essa ponte seria feita pelo Centro de Biotecnologia da Amazônia (CBA), mas, infelizmente, a instituição nunca chegou a cumprir tal função. O Centro foi inaugurado há 15 anos com a promessa de ser um instrumento da indústria no desenvolvimento de produtos a partir dos recursos da floresta. Hoje é apenas um anexo do Inmetro sem, sequer, ter personalidade jurídica. Uma anta branca.