Quarta-feira, 22 de Setembro de 2021
Editorial

Expectativa no mercado de trabalho


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30/07/2021 às 07:48

O aumento na abertura de empregos com carteira assinada no primeiro semestre,  segundo informam os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) é um indício concreto de que o mercado de trabalho tem uma grande demanda reprimida e aposta no reaquecimento da economia brasileira nos próximos  meses. Mais de 1,5 milhão de empregos formais foram criados em todas as regiões, e no Amazonas não foi diferente. O Estado tem saldo positivo em praticamente todos os setores econômicos.

Em tempos tão obscuros e ainda sob o risco de um novo recrudescimento da pandemia, o desempenho do mercado de trabalho é algo a ser comemorado. Entretanto, é preciso que o ritmo das contratações seja mantido e intensificado,  considerando que o nível de desemprego ainda é um dos maiores das últimas décadas. Vale lembrar que o Caged mede apenas os empregos formais, sem considerar o gigantesco mercado de trabalho informal, onde milhões de trabalhadores lutam pelo sustento sem qualquer proteção oficial. Os governos, em todas as suas esferas, precisam agir conjuntamente para estimular a geração de trabalho e renda, não só para estimular a retomada econômica, mas também para fazer frente às dificuldades que serão impostas pela crise hídrica, que vai pressionar os preços da energia e, por tabela, de toda a cadeia de consumo, alimentando a inflação. A condução da economia no que resta deste ano e no próximo será determinante para definir como o Brasil estará no pós-pandemia - supondo que a crise sanitária seja, de fato, superada.

Essa condução exige que governo federal atue em parceria com os Estados, deixando de lado a postura belicosa que tem perdurado ao longo da pandemia. Neste momento, um plano nacional de retomada já deveria estar desenhado e articulado com os governadores e o Congresso Nacional. Infelizmente, tudo indica que essa preocupação não passa por Brasília, o que coloca em risco a recuperação econômica e social. A alta nos empregos formais mostra a disposição do empresariado para aquecer as atividades e recuperar o quanto antes as perdas que se acumulam desde 2020. Por outro lado, esse avanço só será sustentável com a inflação sob controle, regras tributárias claras e ambiente seguro para investimentos. Algo assim não se constrói com motociatas e discursos populistas, mas com trabalho e seriedade.


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