Domingo, 22 de Setembro de 2019
Editorial

Expectativa no mercado imobiliário


mercado_321A1B16-618B-4BEB-87DD-865C85F0AF67.jpg
21/08/2019 às 07:48

O governo federal anunciou ontem novas linhas de crédito imobiliário atreladas à variação da inflação. A intenção é baratear o financiamento habitacional no momento em que o mercado sofre com a baixa procura por imóveis, apesar do elevado déficit habitacional do País. Em tempos de economia em marcha lenta e risco de desaceleração global, a maioria das pessoas prefere evitar compromissos financeiros de longo prazo.

A iniciativa do governo é boa; com a inflação sob controle, a nova modalidade de financiamento pode oferecer parcelas até um terço mais baratas que as demais, considerando o cenário atual. Porém, há riscos, e não são pequenos.

Os contratos terão prazo de 30 anos e as parcelas ficarão mais elevadas ou mais baixas seguindo o ritmo da inflação. Ocorre que é impossível fazer uma previsão razoavelmente aproximada sobre o comportamento da inflação brasileiras nos próximos dez anos, por exemplo. A conjuntura econômica atual simplesmente não permite. E uma vez que o cidadão optar pela nova modalidade, não poderá alterar a opção em seu contrato. As outras modalidades são vinculadas à variação da Taxa Referencial, a TR. Mas esta é fixada pelo Banco Central, ao passo que a inflação é algo que independe da vontade do governo.

Vale ressaltar, por exemplo, que há apenas 15 anos, essas novas modalidades seriam mais onerosas que as tradicionais.

De qualquer forma, o fato de termos uma inflação relativamente baixa e aparentemente sob controle permite contratos com parcelas iniciais convidativas, o que pode atrair o interesse dos clientes e contribuir positivamente para o reaquecimento do mercado imobiliário.

Por outro lado, tais medidas não podem ser isoladas. É preciso avançar mais, principalmente em relação à população com faixa de renda onde se concentra a maior parte do déficit habitacional. É a parcela atendida pelas faixas do programa Minha Casa Minha Vida. O programa segue em marcha lenta na atual gestão, prejudicado pela infindável guerra ideológica travada pelo governo, que mantém a velha prática muito conhecida na política amazonense, de tentar apagar os feitos de gestões anteriores, ainda que positivos. Com projetos paralisados, seja por falta de dinheiro ou de vontade política, os milhões que sonham com a casa própria continuam sonhando, à espera de uma oportunidade.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.