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Editorial

Extremismo não leva a nada

05/07/2016 às 21:04
Show maciel

Lamentavelmente, é muito comum ouvir o bordão “bandido bom é bandido morto”, uma ideia que parte do raciocínio de que a solução para a criminalidade reside na aplicação do milenar “olho por olho, dente por dente”. Tal afirmativa é um contrassenso na medida em que não se pode combater o crime por meio da promoção de outro crime. E quem defende essa ideia faz exatamente isso: incita o crime, o que só tende a piorar ainda mais o cenário de insegurança. Foi o que fez o deputado estadual Cabo Maciel (PR/AM) ao proferir a famosa frase durante entrevista em que tratava exatamente da falta de segurança no Estado, comentando o assassinato do sargento da Polícia Militar Sebastião Figueira da Silva, de 46 anos, na semana passada.

A morte de um policial, como a de qualquer outra pessoa, é algo triste e lamentável, um crime que deve ser apurado com rigor para que se identifiquem os culpados e para que sejam punidos. Mas isso deve ocorrer na forma da lei. Não se pode sair à caça de “bandidos” e executar suspeitos pelo fato de serem suspeitos, sob o risco de cometer um crime tão grave quanto o que vitimou o sargento da PM. Um parlamentar, independentemente de orientação política, deve zelar pelo respeito à Constituição, que estabelece no País o Estado Democrático de Direito, em que todos devem se submeter à força da lei. 

Ao tomar tal atitude, o deputado fala exatamente à ala da população que apoia o extremismo. Mas é preciso levar em conta que, pro trás da simpatia popular à ideia de que matar o “bandido” é a melhor solução está a indignação diante da insegurança e da escalada do crime, que torna todos reféns. Para o cidadão que é assaltado dentro dos ônibus, nas ruas, terminais ou dentro da própria casa, o sentimento de impotência diante da criminalidade leva a extremos. 

Em um mundo perfeito, o sistema  penitenciário funcionaria a contento. Não é à toa que os magistrados se referem aos presos usando um termo elegante: “reeducandos”. De fato, a ideia básica do sistema prisional seria promover a reeducação do condenado, afastando-o do convívio social como forma de expiação pelo seu crime, mas também para que possa retornar ao seio da sociedade como uma pessoa melhor. Como sabemos, não é o que acontece. O problema da criminalidade precisa ser enfrentado, mas não chegaremos a uma solução lançando mão de extremismos e passando por cima da lei.