Publicidade
Editorial

Falhas no primeiro teste

05/04/2017 às 21:40 - Atualizado em 05/04/2017 às 21:46
Show buraco03333

A cidade de Manaus sofreu ontem aquilo que  os antigos, usando da sabedoria popular,  chamavam de “o pão que o diabo amassou” para ilustrar  as situações de extremo sacrifício as quais todos somos submetidos e ainda pela falta de perspectivas sobre quando sairemos de um buraco sem fundo no qual nos metemos pelas escolhas erráticas feitas em eleições sucessivas.

 O dia caótico de ontem não é, caros leitores, culpa da natureza amazônica, dada a produção de chuvas prolongadas e de altas intensidades. Não, não foi a mãe natureza que nos meteu na encrenca de ontem.

Nas ruas, nas casas, dentro de carros particulares ou nos ônibus do péssimo e caro transporte coletivo, o sofrimento do manauense é fruto da incompetência administrativa e da falta de clareza sobre o que fazer com o dinheiro do erário. Senão vejamos:

 A prefeitura, o prefeito e os secretários dele, gabou-se ao longo de toda a campanha eleitoral do ano passado de ter construído mais de 500 quilômetros de redes de drenagem em toda a cidade. E como foi o batismo dessa rede ontem? Um retumbante fracasso.

Em diversas áreas da cidade houve alagamentos por falta  de espaços para as águas escoarem ao mesmo tempo em que igarapés transbordaram, um sinal de que estão assoreados e o poder público municipal sequer desconfia disso. Sobre o assoreamento, o sinal de alerta foi dado na chuva de sábado passado em uma via isolada de um conjunto habitacional. Mesmo assim ninguém da área de infraestrutura se preocupou em ver como estava a situação em outras áreas da cidade mais lacustre do País. Simplesmente incompetência ou descaso administrativo? Eis a questão.

E não foi apenas a gigantesca rede de drenagem de 500 quilômetros que falhou no teste de qualidade imposto pela chuva de ontem. Vamos lembrar que asfalto também era uma das jóias exibidas pela prefeitura no ano passado,  mas o que vimos ontem? O asfalto se esfacelando em diversas áreas da cidade ao mesmo tempo em que as bases e sub-bases não aguentavam e sucumbiam diante do peso dos veículos.

 Para piorar, como já de costume, semáforos desligados, agentes de trânsito confusos e, de consequência, congestionamentos nas principais vias da cidade. Um sufoco!