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Editorial

Falta de civilidade

03/10/2017 às 22:51 - Atualizado em 04/10/2017 às 11:23
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Manaus sofre de um grave problema que dificulta uma urbanização adequada, principalmente nas áreas periféricas. Muitas pessoas parecem ter uma necessidade incontrolável de invadir calçadas, “esticar o quintal” sobre uma área pública. Os exemplos podem ser encontrados em todas as partes da cidade. Um dos casos mais recentes está acontecendo nas margens da Avenida das Flores, ainda em construção.  Desde que iniciaram as obras da avenida, o trecho entre os bairros Cidade Nova e  Santa Etelvina, na Zona Norte,  tem sido alvo de diversos focos de ocupações irregulares por conta das valorização imobiliária da região.

Chama a atenção o fato de que os invasores não são pessoas necessitadas, sem moradia própria. Entre eles há comerciantes, moradores de bairros do entorno e do próprio conjunto habitacional Cidadão 12, que fica perto dali. São pessoas que buscam apenas obter vantagem conseguindo um terreno grátis ou ampliando seu próprio imóvel.

O movimento segue a lógica do “mais esperto”. Depois que alguns invadem na cara de pau e não sofrem nenhuma represália, muitos outros tomam a mesma atitude. Se nada for feito -  e geralmente, nada é feito mesmo em casos como esse – a área vai ser completamente tomada por habitações irregulares. Quando o poder público resolver tomar alguma atitude, os invasores, que já terão “investido” nos imóveis, se acharão no direito de serem indenizados.

O argumento que alguns apresentam é dos mais interessantes: a invasão da área, que pertence ao governo do Estado e foi desapropriada pela Superintendência Estadual de Habitação (Suhab), teria começado por empresários, com suposta conivência do poder público. Os moradores do entorno, então, decidiram seguir o mau exemplo em vez de denunciar o problema.

As calçadas são outra questão. Em qualquer parte da cidade, é muito comum moradores anexarem a calçada a suas próprias casas. Na rua Pirarucu, bairro Jorge Teixeira, a Prefeitura construiu largas calçadas depois que pavimentou a via no ano passado, mas não demorou para muitos moradores avançarem sobre as mesmas, que são usadas até mesmo como estacionamento. Falta civilidade por parte dos invasores e fiscalização por parte das autoridades. Uma fiscalização que não deveria ser necessária se vivêssemos em uma sociedade mais consciente e educada.