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Editorial

Falta de compromisso com o povo

21/09/2017 às 22:03
Show aleam

Ao que parece, uma das características da classe política no Amazonas, de modo geral, é a subserviência ao Poder Executivo. Isso se observa tanto na esfera estadual quanto na municipal. As casas legislativas são compostas por parlamentares, em esmagadora maioria, com cega fidelidade ao prefeito ou ao governador. Com isso, é curioso observar como eles mudam de opinião conforme a conveniência. 

Infelizmente, o representante não se coloca a serviço dos interesses da população, mas de seus próprios interesses, buscando vantagens que podem ser obtidas por meio do bom relacionamento com o “chefe” da vez. Um caso concreto pode ser observado no Parlamento estadual. Em março, por 12 votos a nove, um decreto do ex-governador José Melo foi aprovado na Casa, aumentando a tributação sobre itens considerados supérfluos. Na ocasião, não faltaram discursos inflamados dos apoiadores do governo, ressaltando a urgência da medida para resguardar a saúde financeira do Estado diante dos efeitos da crise econômica e da queda na arrecadação.

Agora, com o Estado nas mãos de um novo governador - ainda que interino - os argumentos mudam completamente diante da intenção do chefe do Executivo em revogar o tal decreto. Os mesmos deputados que defenderam de forma tão ferrenha o aumento de impostos, agora falam dos danos do excesso de tributos à economia e como isso prejudica a população.

Em poucos meses, o que mudou? Mudou o governador. Os parlamentares não mudaram de opinião, eles mantiveram a postura de votar segundo a orientação do Executivo, como têm feito há muito tempo.

O fenômeno se replica a cada troca no comando do Executivo; rapidamente um grupo significativo de parlamentares disputa entre si o melhor lugar na órbita do poder, resultando sempre em uma forte base de apoio nas casas legislativas, com uma oposição, via de regra, bastante debilitada.

Fechar alianças, manifestar apoios estratégicos para buscar fortalecimento entre os pares faz parte do jogo político. Mas o homem público não pode jamais perder de vista a razão de seu mandato: representar adequadamente o povo. É esse compromisso que deve nortear todo e qualquer posicionamento. Todo o resto é secundário.