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Editorial

Falta de critérios no corte de verbas

19/08/2017 às 13:37 - Atualizado em 19/08/2017 às 14:24
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Na semana passada, o governo federal jogou a toalha e admitiu que, apesar de o País estar “voltando para os trilhos”, não será possível terminar o ano sem um rombo bilionário nas contas públicas, nem neste ano, e nem no próximo. Na prática, o problema do déficit no orçamento será repassado ao próximo governo, que será eleito em 2018. Para tentar conter o tamanho do rombo, o governo tomou a medida mais amarga e fez cortes gigantes no orçamento. Mesmo que admitamos que essa é uma das medidas inevitáveis para evitar um colapso financeiro, não dá para negar que faltam certos critérios na hora de fazer o contingenciamento.

Algumas áreas são estratégicas demais para sofrer corte de verbas. É o caso das Forças Armadas, principalmente no que diz respeito à segurança nas fronteiras. Não é apenas uma questão de soberania nacional, mas de segurança pública. É notório que a Amazônia é porta de entrada de boa parte das drogas que chegam ao Brasil e abastecem os grandes centros urbanos, dando origem a uma série de problemas como violência e insegurança nas ruas. O combate ao tráfico e todas as suas consequências passa pela segurança nas fronteiras.

É simplesmente inadmissível que o Comando Militar da Amazônia, responsável pelo patrulhamento da extensa fronteira brasileira com países como a Colômbia, que tem nas drogas um de seus principais “produtos de exportação” - tenha de enfrentar problemas tão sérios de orçamento. O comandante do Exército, general Villas-Boas, tem sido muito claro ao afirmar que, com os recursos disponíveis, não é possível manter as operações de segurança nas fronteiras a contento. Não só a Amazônia, mas o País ficará fragilizado e as consequências virão no curso prazo.

O corte de recursos no Exército é um exemplo de “economia burra”, o famoso barato que sai caro. Com menos vigilância, o tráfico será fortalecido com impactos diretos em Manaus e outras grandes cidades. Haverá aumento da violência e da insegurança nas ruas, demandando aporte de vultosos recursos para fazer o enfrentamento da situação.

O governo Temer precisa rever os critérios adotados na execução dos cortes e ter especial atenção na questão da segurança. Caso contrário, o País pode entrar nos trilhos e ser atropelado pelo trem.