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Editorial

Falta reforço à ação contra hanseníase

09/01/2019 às 08:40
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Dedicado à intensificação das ações de prevenção e de tratamento da hanseníase, o mês de janeiro vem se tornando um período estratégico para pautar as questões em torno dessa doença e mobilizar os brasileiros na busca de tratamento e de aprendizados sobre ela. A mobilização é necessária considerando a condição que o Brasil ocupa – segundo país no mundo a registrar mais casos da hanseníase, de acordos com levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). O primeiro é a Índia 

São registrados no Brasil aproximadamente 30 mil casos por ano (dados da (OMS), 6% do total acometem crianças e adolescentes. No Amazonas, em 2018, a Fundação Alfredo da Mata registrou 370 casos dos quais 98 em Manaus. O número é alto, mas está 18.3% menor que o de 2017 quando  453 foram notificados apontando para a alta endemicidade da doença.

Há ainda a subnotificação que produz indicadores falsos sobre o controle da doença, como revelam  pesquisas científicas. Trazer o tema da hanseníase à discussão pública, reforçar as estratégias para se debater sobre a doença, disseminar informações e qualificar continuamente as condutas de atenção e tratamento são atitudes que  no Amazonas se constituem em exigência que não pode vir a ser interrompida.

O quadro endêmico  estadual e a condição de mendicância a que foram submetidas, por décadas, as pessoas com hanseníase é parte de uma história recente cuja atualidade vem agora à cena pública.  A reparação por parte do Estado a fim de garantir os direitos humanos dessas pessoas e de seus familiares ainda aguarda ser feita em sua amplitude e, na atual conjuntura, sofre ameaças de vir a ser minimizada, ao mesmo tempo,  nas ruas da área central de Manaus voltaram à mendicância homens e mulheres com hanseníase denunciando a precarização da vida nas comunidades onde moram.

Criado há dez anos, o ‘janeiro roxo’  é um desses momentos para pensar sobre a política de saúde pública volta ao combate da hanseníase, de refletir sobre as condições de vida das pessoas acometidas pela doença, e da estrutura municipal /estadual destinada a essa demanda. Uma agenda que nasce muito em função da mobilização histórica realizada pelo Movimento de Reintegração dos Hansenianos (Morhan) que ajuda a promover o diálogo interinstitucional e a alertar governos e soiedade quanto os cuidados que o assunto deve receber. Por todo este mês várias ações acontecem em Manaus.