Publicidade
Editorial

Faltam respostas sobram confrontos

05/01/2017 às 22:45
Show sistema0333

O roteiro de perguntas sem respostas é longo. As perguntas vêm sendo feitas há décadas. Prevaleceu no trato do sistema prisional brasileiro a omissão do Estado como porta escancarada para a formulação de pactos criminosos que fizeram crescer com facilidade os arranjos para modelos perigosos de administrar presídios, lidar com as organizações promotoras de violência.

A chacina de presos em Manaus é uma página do pesadelo instalado no País. Os documentos relatando situações de alto risco, condições dos presídios, manutenção de conexões de presos perigosos com grupos externos e facilidade de acesso a instrumentos e equipamentos que não deveriam ter são repetidamente apresentados. Para que servem esses documentos? O que é feito a partir desses cenários?

Há banalização no trato da questão prisional e aparente aceite governamental ao entendimento de que se está preso não presta e não precisa ser tratado como gente. Se as prisões existem na perspectiva de assegurar punições justamente arbitradas aos que cometeram crimes e oferecer a eles a possibilidade de reingressar recuperado na sociedade, essa função não existe. A prisão para a maioria dos prisioneiros tornou-se a escola de aperfeiçoamento da criminalidade. Por que ocorre e é mantida tal situação?

Nesse momento, o que se assiste é um lamentável, desnecessário e nada republicano confronto de autoridades governamentais. Brasília x Amazonas digladiam para provar o quê? Quem tem razão? De quem é a culpa? Afinal, a responsabilidade é ampla e geral. Tanto o poder em Brasília quanto o do Amazonas carregam as cotas de omissão. O presidente Michel Temer ficou 72 horas sem uma declaração oficial sobre a segunda maior chacina de presos na história do País e quando a fez é para repetir o que disse o ministro da Justiça; a direção da Assembleia Legislativa silenciou assim como outras instâncias de poder. Parece que ainda estão aguardando elementos para identificar o culpado e desvencilhar-se do problema como se a nódoa já não estivesse espalhada para sempre na história do Amazonas e do Brasil.

A presença de autoridades em Manaus, a nova juntada de documentos, o esforço para uma radiografia são necessárias. Mas é preciso sair dos discursos, alguns repetidos há anos, e agir com firmeza dentro de um plano nacional, permanente e eficiente. Senão sobrarão as palavras e os relatos de novas chacinas, hoje em Manaus, amanhã em outra cidade brasileira num ciclo dramático.