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Editorial

Faltou comunicação na aprovação das novas regras da aviação no Brasil

18/03/2017 às 15:49 - Atualizado em 18/03/2017 às 15:50
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A comunicação é um processo importantíssimo para fazer a vida em sociedade fluir sem atropelos, confusões e dúvidas. Sobretudo em tempos de mudanças, ter uma boa comunicação entre as partes significa ter um bom processo de compreensão das mesmas, consequentemente ter um alto valor nas taxas de aceitação.

Pois é exatamente o que não temos visto nas mudanças propostas por diversos entes governamentais nos últimos tempos, o que gera entropia social e confusão na hora de aplicar as mudanças.

Nenhum destes processos comunicacionais foi tão falho quanto o da implementação da resolução 400/2016 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), aprovada em dezembro do ano passado, dispondo sobre as condições gerais de transporte aéreo.

O foco, desde o princípio, foi sobre o fim da franquia das bagagens despachadas para o compartimento de cargas das aeronaves. Quem viaja está acostumado com os 23 quilos permitidos, mas nunca lhe foi explicado que esta franquia, como a meia passagem de estudantes nos ônibus de Manaus, tem preço e este preço é dividido entre todos os que estão dentro do avião, levem ou não bagagens despachadas.

De qualquer maneira, o foco do debate nunca levou em conta as demais mudanças introduzidas pela resolução, grande parte delas claramente beneficas aos passageiros. Sobre bagagem de mãos, por exemplo, subiu de cinco quilos para dez quilos o tamanho permitido. Outra mudança diminuiu sensivelmente o tempo que as empresas têm para restituir bagagens extraviadas, um problema que poderia durar até um mês para ser resolvido e agora o tempo permitido é de apenas uma semana.

 Um probleminha grave que virava um problemão no guichê de check in, por exemplo, era a grafia errada do nome do passageiro. Antes, um novo bilhete de passagem deveria ser emitido com o nome certo e os custos bancados pelo passageiro. Agora a emissão é obrigação das empresas.

Enfim, uma boa comunicação teria reduzido a rejeição a medida e pacificado a relação de consumo existente nessa área, evitando assim a briga judicial que chegou a tribunais de todo o País e agora paralisa a aplicação das demais medidas constantes da resolução.