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Editorial

Faltou transparência

19/06/2018 às 21:41 - Atualizado em 19/06/2018 às 21:50
Show manaus ambiental 2

Com certo atraso, o Ministério Público do Estado confirmou que vai investigar o negócio entre a Aegea Saneamento e Participações S.A. e a Prefeitura de Manaus que resultou na venda da Manaus Ambiental, empresa responsável pela distribuição de água e serviços de esgoto na capital amazonense. Não faltam motivos para a atuação do MP: o negócio foi anunciado da noite para o dia, envolvendo recursos da ordem de R$ 800 milhões, sem qualquer consulta sequer à Câmara Municipal de Manaus.

Acrescenta-se a isso o fato de que executivos da Aegea respondem na Justiça de São Paulo por crimes como corrupção, organização criminosa, fraude em licitações e peculato. Manaus precisa saber para quem a concessão de água e esgoto foi repassada.

Causa estranheza a letargia da maioria dos vereadores na Câmara Municipal em relação ao negócio. Com exceções pontuais, os parlamentares não demonstram nenhum interesse pela venda da empresa responsável pelo abastecimento de água para os dois milhões de habitantes da capital. O valor, as circunstâncias, as condições ou mesmo os motivos que levaram a Prefeitura de Manaus a realizar a venda precisam ser bem explicados. O fato de pertencer à base de apoio ao prefeito na Câmara não exime vereadores da obrigação de zelar, antes de qualquer coisa, pelo interesse público. Um negócio de tamanho impacto para a cidade não poderia ser levado a cabo sem amplos debates, não apenas na Câmara Municipal, mas também com a participação de diversos setores da sociedade. É precisa saber quem é a Aegea, onde opera, com que qualidade e, principalmente, o que planeja para a cidade, que benefícios a mudança de comando na Manaus Ambiental trará para a população.

Essas perguntas continuam sem respostas. Esperamos que a atuação do Ministério Público ocorra de forma célere até para prevenir eventuais danos ao serviço e aos cidadãos de Manaus. Há muito que os atos da Prefeitura carecem de transparência, mas o modo como a venda da Manaus Ambiental foi conduzida extrapola todos os limites. Se não há nada a esconder, por que tudo não foi feito às claras, com debates para esclarecer, inclusive, se havia necessidade de realizar o negócio? Desnecessário lembrar que a publicidade dos atos é princípio fundamental da administração pública.