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Editorial

Fechamento das fronteiras

18/01/2017 às 22:18
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Os nove governadores da Região Norte que compareceram à reunião desta quarta-feira (18) com o presidente da República Michel Temer e com o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, tinham pelo menos uma proposta de consenso: o fechamento imediato das fronteiras com países produtores de drogas, o que foi defendido como medida indispensável para restabelecer a ordem na segurança pública dentro e fora dos presídios.

Apesar de óbvia, a medida não é de fácil execução, pois significa colocar em prática uma estratégia “de guerra”. As Forças Armadas teriam que se posicionar ao longo da imensa fronteira com países como Peru, Colômbia, Bolívia e Paraguai. Essa atitude também precisaria da colaboração, ou pelo menos da anuência, de tais países, que não podem ver tal ação como ameaça. Trata-se de uma operação cara e que teria que ser levada a cabo por tempo indefinido, com pesados investimentos em treinamento, equipamentos e logística. O governo federal tem resistido a uma medida tão drástica e priorizado aportes em áreas que possam, de forma mais eficaz, melhorar a própria popularidade, que é uma das mais baixas da história. Nesse sentido, têm investido em programas sociais que foram a marca de seus antecessores, como o Bolsa Família.

Mas a situação da segurança no País chegou a um ponto crítico e não pode mais esperar. O raciocínio é simples. As facções criminosas que têm coordenado os atos de violência nos presídios brasileiros digladiam-se pelo controle do tráfico de drogas no País. Se a entrada das drogas for interrompida ou pelo menos prejudicada pela ação das Forças Armadas, o efeito imediato seria o enfraquecimento dessas organizações, inclusive dentro das prisões, onde os detentos voltariam à condição de presos, e não hóspedes. 

Nesse cenário, o Amazonas precisa ter um papel de protagonismo, pois faz fronteira com Colômbia, Peru e Venezuela. A entrada de drogas pela Amazônia é conhecida pelas autoridades há muito tempo. E Manaus sofre diretamente as consequências de estar no meio dessa rota. A atual crise no sistema prisional brasileiro só estará plenamente controlada se o Estado recuperar o real controle das prisões e enfraquecer o tráfico. Hoje, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, está em Tabatinga para avaliar a situação da fronteira visando uma ação estratégica.