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Editorial

FIAM: faltou um Ozias Monteiro

13/07/2017 às 23:33
Show fiam

A Superintendência da Zona Franca de Manaus confirmou, ontem, que a edição 2017 da Feira Internacional da Amazônia (FIAM) foi cancelada por falta de recursos financeiros para a  realização dela. O evento, que é  bianual, custaria R$ 6 milhões aos cofres da autarquia, mas restrições orçamentárias levaram ao cancelamento e, portanto, a constatação de que este modelo de desenvolvimento só andou para trás nos últimos anos, tanto que sua principal vitrine não será realizada no ano em que a economia voltou a dar sinais de crescimento, mesmo que tímidos.

Criada pelo ex-superintendente da Suframa e ex-secretário de Planejamento do Estado Ozias Monteiro, a Fiam era uma oportunidade única para mostrar a produção local, ativar negócios dentro e fora do País e, fundamentalmente, provar aos que jogavam contra que o modelo Zona Franca era real e há muito havia deixado para trás as práticas de maquiagem que tantos males causaram para a imagem do Amazonas. Na concepção de Ozias Monteiro, era claro a ideia de que o Estado depende essencialmente do sucesso do setor industrial local e, por isso, deveria mostrar ao mundo sua produção, características e vantagens. Não por acaso ele, visionário, agregou as mostras de eletroeletrônicos, motocicletas e demais industrializados , uma área de stands exclusivas  para a exposição de  produtos com design amazônicos, biojóias, artes e artesanatos essencialmente locais, bem como exposições do setor primário. Também não faltava na FIAM de Ozias Monteiro acenos a cultura local, com grandes apresentações de Caprichoso e Garantido.

Ozias sabia que mostrar ao mundo nossos valores alavancaria negócios e assim foi por todo o tempo que a FIAM existiu.

Infelizmente a atual administração vê-se tolhida pelo lado financeiro e não tentou uma saída que envolvesse a criatividade de homens públicos comprometidos com o realizar, com o fazer acontecer. Premidos pelos problemas, optou-se pelo caminho fácil e certeiro.

De qualquer maneira, a Zona Franca segue com a missão de manter ativada a economia local, que novamente sofre por não ter desenvolvido uma alternativa diferente, uma alternativa regional e livre dos contingenciamentos orquestrados pelos tecnocratas de Brasília.