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Editorial

Fim da fila do tormento

09/10/2017 às 21:08
Show fcecon 123

A decisão judicial que manda a FCecon realizar e entregar os laudos de biópsias pendentes desde 2012 aos pacientes ainda vivos destaca dois aspectos. Por um lado, significa esperança para aqueles que ainda esperam pelo prosseguimento do seu tratamento. Não bastasse a dor de ter que lutar diariamente contra a doença, ainda convivem com a incerteza quanto ao tratamento disponibilizado pela rede pública. Por outro lado, é uma tragédia que o acesso aos laudos seja determinado pela Justiça apenas agora, quando metade das seis mil pessoas que aguardavam resultados desde 2012 já faleceram.

Morreram por uma razão: eram pessoas pobres e sem condições de recorrer a hospitais particulares, não dispunham de planos de saúde que lhes cobrisse o tratamento, não podiam ir para São Paulo, tratar-se no Hospital Sírio Libanês. Morreram porque não tinham outra alternativa a não ser esperar pelo resultado dos exames na rede pública. E muitos outros, lamentavelmente, ainda morrerão antes do cumprimento da decisão judicial.

O suplício de quem busca tratamento contra o câncer na FCecon começa na marcação da primeira consulta, que pode ser agendada para meses depois. No dia agendado, as pessoas se amontoam nos corredores, aguardando pelo chamado para a tão esperada consulta, que nem sempre acontece. Os passos seguintes, com marcação de exames e espera pelos resultados, como foi denunciado pelo jornal A CRÍTICA, podem significar uma espera de vários anos.

A demora na realização e entrega dos laudos é vergonhosa, como é uma vergonha a existência de uma “sala dos mortos” na FCecon, local onde estão armazenadas peças para biópsias de pacientes já falecidos. É uma vergonha que contratos suspeitos na área da saúde ainda estejam vigentes e que milhões tenham sido desviados para compra de carros e barcos de luxo enquanto pacientes morriam.

Vale ressaltar que o acesso aos serviços de saúde é um dos direitos fundamentais garantidos a todos os brasileiros pela Constituição Federal.

O governo recém-empossado tem a obrigação de tomar providências imediatas em relação a esse absurdo. Nada pode justificar a morte prematura de pessoas que poderiam se curar caso tivessem acesso ao tratamento adequado.