Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2022
Editorial

Firmeza contra o garimpo ilegal


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26/11/2021 às 08:01

É urgente que o Estado Brasileiro se imponha e faça valer a ordem na região do Rio Madeira próxima de Autazes e Nova Olinda do Norte, onde caravanas de garimpeiros ilegais promovem uma "corrida ao ouro". A articuçação entre Polícia Federal, Marinha e Ibama tem que ser acelerada, uma vez que os garimpeiros, até agora, exibem um nível bem maior de organização.

O efeito de centenas de dragas atuando simultaneamente no leito do rio, além do uso de substâncias poluentes como mercúrio pode ser devastador, isso sem falar no impacto social que a chegada abrupta de milhares de garimpeiros pode ter nos municípios próximos. A preocupação dos prefeitos com uma explosão de prostituição, tráfico de drogas e disseminação de doenças é plenamente justificável, já que a dinâmica dos garimpos ilegais é bastante conhecida de todos.

Um aspecto que precisa ser abordado diz respeito ao aproveitamento econômico do ouro no rio Madeira. É razoável que o Amazonas usufrua da riqueza mineral que está no rio, mas isso não pode ser feito de forma ilegal, com equipamentos e técnicas ultrapassadas que causam danos ambientais de consequências imprevisíveis para a fauna aquática e para os próprios ribeirinhos, sem planejamento e sem ações mitigadoras de impactos sociais e ambientais. Os garimpeiros ilegais devem ser retirados imediatamente, para que os órgãos competentes façam a adequada avaliação dos depósitos de outro supostamente localizados no leito do rio.

Apenas após esse estudo, poderá ocorrer a exploração nacional, com respeito ao meio ambiente, às populações da área e à lei. Se a exploração for feita de acordo com a legalidade, todos saem ganhando. Do contrário, os danos socioambientais podem ser catastróficos. De imediato, não basta retirar os garimpeiros, é preciso tomar providências para evitar o retorno deles por meio de patrulhamento fluvial.

Uma dificuldade a ser enfrentada é que os garimpeiros ilegais se sentem politicamente respaldados, já que a garimpagem vem ocorrendo em outras áreas da Amazônia, inclusive em terras indígenas, sem qualquer mobilização contrária relevante por parte do governo federal. A inércia tem que acabar. O governo tem agora a oportunidade de mostrar que o novo discurso ambiental exibido na Escócia não são apenas palavras vazias.


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