Sábado, 18 de Setembro de 2021
Editorial

Fome e Campanha


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05/08/2021 às 07:35

A condição de fome no Brasil e no Amazonas assume feição severa e reclama providências urgentes para atender os famintos e um programa que possa retirar milhares de famílias brasileiras do mapa dos famintos. Relatório do Fundo para a Agricultura e a Alimentação (FAO–ONU), divulgado em julho, aponta que 49,6 milhões de pessoas, incluindo crianças, deixaram de se alimentar por falta de recursos financeiros e ou tiveram drasticamente reduzido o acesso a alimentos.

 Enquanto o presidente da República reorganiza o espaço das alianças para viabilizar a candidatura nas eleições de 2022, usa muitas horas do tempo presidencial para desqualificar instituições e fomentar desconfiança sobre o voto eletrônico, o Brasil real aprofunda a crise social. Desempregados, informalidade em alta e fome formam uma das triangulações do processo de desestruturação; a outra é a elevação dos preços dos combustíveis, em especial da gasolina, e o derivado gás de cozinha, obrigando inúmeras famílias recorrerem ao fogão à lenha para cozinhar, dos alimentos, das contas de energia elétrica e da água canalizada.

Esse Brasil parece invisível diante das condutas governamentais que utilizam, em maior fatia, o tempo para fazer campanha eleitoral antecipada e criar tumultos, numa série de atos que ferem a legislação e a probidade administrativa. Esse outro Brasil pede providências responsáveis em curto, médio e longo prazos na busca de solução à crise construída e agravada pela pandemia.

No Amazonas, os famintos são visíveis em cidades como a capital, Manaus, e tornaram-se pedintes, catadores de sobra de comida lançada ao lixo, alguns até se arriscam a pequenos furtos. Se essa realidade não toca, não importa, não gera atitude de mudança de comportamento das autoridades públicas, dos setores de empresariais e da sociedade, o drama torna-se maior e, nessa conjuntura, é aprofundado a cada dia.

Manaus é uma das cidades que ostenta, por tempo longo, a desigualdade em nível elevado. De um lado, uma minoria que detém a riqueza e, de outro, a maioria da população vivendo em condições precárias que se repete a cada ano. O efeito de um padrão de vida nessa circunstância é de longo alcance, adultos submetidos a subcidadania e crianças a negação sistemática de direitos básicos. Fazer campanha eleitoral em um quadro tão difícil como esse é, no mínimo, tripudiar da população.


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