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Editorial

Força para mudar

26/07/2016 às 21:16
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Com a proximidade das eleições,  casos de compra de votos  e outros crimes  envolvendo corrupção eleitoral  tendem a ficar mais frequentes. Por que há tanta corrupção no Brasil? Tanto desrespeito a legislação? Um dos motivos, provavelmente, é a certeza da impunidade. Os infratores contam com a proteção de seus pares e com a lentidão da Justiça. Um caso que acaba de se tornar emblemático é o processo da associação Prodente, que acaba de ser arquivado pelo TCE  após dez anos.

Para quem não lembra, um resumo do escândalo. Em 2006, a imprensa divulgou um vídeo em que candidatos pediam votos em troca de tratamentos dentários. Diante das evidências, o Ministério Público pediu auditoria no contrato entre a Secretaria de Saúde e a fundação. O processo ficou dez anos no TCE e foi declarado prescrito ontem. Não se questiona de modo algum a lisura da corte de contas e de seus conselheiros, mas é preciso buscar as razões para a demora de uma década na análise de um caso que envolve, além do crime eleitoral, possível canalização de recursos públicos para instituição inidônea. Enfim, é com esta morosidade que os inescrupulosos contam para perpetuar suas práticas ilícitas em benefício próprio e de seus associados.

Há um fato inegável em relação à classe dos corruptos. Eles se protegem, seguindo à risca a lógica do toma lá dá cá. Essa é a única explicação para o fato de que, até agora, nada foi feito em relação à absurda troca de consultas médicas por votos praticada nas dependências da Assembleia Legislativa do Estado pelo deputado Dr. Gomes. Nem a corregedoria nem o conselho de ética da Casa, nem qualquer parlamentar tomou alguma  medida em relação ao ocorrido.

São fatos como esses que ajudam a perpetuar as velhas práticas de sempre. A resposta mais contundente poderia ser dada pela maior autoridade em uma república: o povo. Porém, infelizmente, a qualidade da classe política em todo o País deixa bastante claro que os eleitores não têm sido felizes em suas escolhas. Vale ressaltar que só há  corrupto se houver corruptor; só existe compra de votos se alguém os vender; só deixará de existir corrupção na política quando o povo estiver pronto para dizer não e fazer valer o que diz a Constituição Federal: Todo poder emana do povo. Está em nossas mãos construir um País livre de corrupção em todos os níveis.