Sábado, 04 de Julho de 2020
Editorial

Fuga de investimentos


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27/05/2020 às 09:41

Um dos efeitos negativos da dupla crise vivida no Brasil, a crise sanitária amplificada pela crise política que se instalou em Brasília, é a fuga de investidores. É um fato: a instabilidade política - com tensão entre os poderes da República e investigações sobre a conduta do chefe do Executivo -, somada aos estragos da pandemia em si, afasta investimentos. Muitas empresas já estão simplesmente retirando seus recursos para aportá-los em mercados mais tranquilos e sólidos, ou apenas suspendendo aportes para executá-los em um momento menos turbulento. O problema é que, se por um lado, governos estaduais começam a planejar a retomada das atividades econômicas visando o período pós-pandêmico, por outro, o desfecho do imbróglio político em Brasília é uma grande interrogação. Pior para o capital, que tem entre suas  características uma insuperável aversão a incertezas. 

Segundo dados divulgados pelo Banco Central, os investimentos diretos no País (IDP) em abril despencaram ao pior nível para o mês desde 1995. Houve desinvestimentos de US$ 834 milhões, enquanto, no mesmo período de 2019, as empresas haviam reinvestido no País US$ 2,915 bilhões em participação no capital. Esses dados se revestem de maior gravidade quando se leva em conta que tais  investimentos têm peso fundamental no reequilíbrio da economia nacional no pós-pandemia. 

A fuga de capitais no mercado brasileiro não pode se tornar uma tendência de longo prazo sob pena de agravamento do cenário recessivo que está se instalando. Os índices registrados em abril acenderam o sinal amarelo no Banco Central, que já começa a desenhar cenários ainda menos promissores para os próximos meses.  

O governo precisa ter plena consciência disso e trabalhar pela estabilidade política do País. A recuperação plena do Brasil passa necessariamente pela superação da crise política, além da crise sanitária. A essa altura, arroubos autoritários, tensionamento nas relações entre os Poderes, declarações descabidas e atos tresloucados precisam ficar no passado. Só isso já bastaria para abrandar a desconfiança dos investidores, além de ser um passo relevante na construção de um clima favorável à superação das feridas que a pandemia de covid-19 deixou e que ainda vai deixar. 
 


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