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Editorial

Fúria tributária chega aos pequenos

26/09/2017 às 21:57
Show receita 123

A voracidade tributária nacional é proporcional a incapacidade do Estado de prestar bons serviços a população e, parece ponto pacífico no seio da sociedade, criar novos tributos ou taxas é um caminho sem volta para a rejeição. Mesmo assim ainda há quem, no comando de estruturas estatais, percorram está vereda em tempos de crise econômica turbinada por crise política. É a insensatez a serviço da temeridade democrática.

Pois é neste cenário de finanças conturbadas, por exemplo, que a Receita Federal anuncia a péssima intenção de ir  em busca de médias e pequenas empresas para conseguir arrecadar aproximadamente R$ 1,406 bilhão supostamente sonegados por 46,4 mil estabelecimentos. Não há momento pior para isso, posto que são as pequenas e médias empresas que estão fazendo girar a parte mais afetada pela crise.

 O que deseja a Receita com isso senão “turbinar” a arrecadação nacional ao custo da falência destes estabelecimentos? Por que o órgão arrecadador da União não segue a política inaugurada na década passada de cobrar os grandes devedores? Por que não executam os maiores devedores, muitos deles com cadeira cativa nas Casas Legislativas?

A resposta é que é muito simples partir para cima dos pequenos e desamparados empreendedores nacionais em busca de dinheiro para cobrir o rombo fiscal e ao mesmo tempo elevar, por meio de gratificações e benefícios, as remunerações das castas mais bem pagas do funcionalismo público nacional. O que é esse bilhão num País cujo PIB passa do trilhão? Há algo de podre no reino da Dinamarca, já nos advertiu certa vez o bardo de Stratford-upon-Avon.

Para iniciar essa cruzada contra os pequenos e médios, a Receita Federal informou que  selecionou 17.231 empresas  que serão autuadas num montante de R$$ 1,188 bilhão.   Deste total, R$$ 500 milhões são relativos a multas. Para estas, o melhor caminhos, dizem os analistas fiscais, é buscar um acordo o mais rápido possível evitando o acumulo de multas e punições tributárias. Não é pouco o potencial de estragos na contabilidade, dizem.

Neste sentido, é bom que as empresas que escaparem da “malha fina” revisem seus números ou torçam para que na bacia das águas em que se transformou o congresso um novo programa Refis seja aprovado.