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Editorial

Futura política de Bolsonaro para o meio ambiente sinaliza com ameaças graves

14/12/2018 às 08:34 - Atualizado em 14/12/2018 às 08:36
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As notícias relacionadas ao meio ambiente, divulgadas ao longo da semana e, principalmente, ontem, nas mais diversas plataformas expõem um quadro de enorme contradição na futura política governamental brasileira nessa área. Mais que isso, sinaliza ameaças graves para o País sob o argumento de constituir mercados e fazer negócios rentáveis. Para os analistas mais atentos, os acenos brasileiros nessa direção representam a retomada de um caminho do passado que prejudicou profundamente o País embora tenha gerado lucros acentuados a determinados grupos. Nessa história, está a centralidade da Amazônia.

O interesse e os afagos de alguns países, tendo na linha de frente o governo dos Estados Unidos, reforçam essa preocupação porque historicamente é dessa forma que esses governos atuam e, para eles o que importa mesmo é fazer negócios rentáveis as suas nações.  O que ocorrerá com as populações dos países negociadores não tem nenhuma importância. O Brasil seguiu essa lógica em passado não distante e, num balanço inicial, não conseguiu ampliar empregos efetivos, melhorar as condições de vida dos brasileiros e muito menos se apresentar ao mundo como exemplo de nação que busca um desenvolvimento sustentável. Os primeiros passos em direção a inversão da lógica são mais recentes, ofereceram bons resultados, plantaram outra percepção, mas necessitam apoiados em políticas governamentais contínuas e políticas públicas vigorosas.

Na contramão, o governo de Jair Bolsonaro anuncia a possível saída do Brasil do Acordo de Paris (pacto internacional debatido entre 195 países, entre os quais o Brasil, com o objetivo de reduzir as consequências do aquecimento global, assinado em 2015), seguindo ao lado dos Estados Unidos. No Amazonas, levantamento mostra 49 garimpos irregulares, a maioria deles em terras indígenas.

Para pesquisadores, a região vive uma epidemia desse tipo de atividade e, como relatam livros, artigos, filmes, o histórico dos garimpos ilegais na Amazônia é negativo e denuncia a omissão dos governos que, quando agiram, na maioria dos casos, provocaram tragédias; o boto vermelho volta a ocupar o noticiário pelo dado ruim – em situação de perigo – embora haja contestação desse dado, é possível indicar que, no conjunto dos ataques ao meio ambiente, o efeito de grandes projetos na Amazônia, o crescimento da taxa de desmatamento irão produzir ameaças não somente aos botos, mas as várias espécies que necessitam de equilíbrio no ecossistema e, nesse meio, o humano.