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Editorial

Gás nosso de cada dia

09/11/2018 às 07:16
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Os amazonenses já estão pagando mais caro pelo gás de cozinha. Com o último reajuste realizado pela Petrobras, o valor da botija de 13kg, a mais usada nos lares, alcança o valor de R$ 90. Nos municípios mais longíquos, com os acréscimos referentes ao custo do frete, o preço pode chegar a R$ 100. A Petrobras segue uma lógica de mercado, com aval do governo, que visa a saúde econômica da empresa e a lucratividade das operações. Desse ponto de vista, a postura da empresa está correta; o fato de ser uma estatal apenas acentua sua responsabilidade com a boa gestão.

De fato, o valor de venda do gás nas refinarias é de apenas R$ 25,07. O preço mais que triplica para o consumidor final com a aplicação dos impostos estaduais e federais, além das despesas com frete, distribuição e, claro, a margem de lucro dos distribuidores e dos revendedores. Um dos grandes vilões é o ICMS já que o Amazonas tem uma das alíquotas mais altas entre as unidades da Federação. Quem compra uma botija de gás em Manaus, paga R$ 13 só de ICMS; no Maranhão, paga R$ 11, e em São Paulo, paga R$ 8. Cada Estado define sua alíquota, o que impacta diretamente no preço final da botija. Os números podem ser conferidos no site do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo.

Por ser um produto de primeira necessidade, seria oportuno rever essa alíquota no Amazonas, de modo a permitir a redução da carga tributária sobre o produto e, consequentemente, do preço ao consumidor.

Além disso, há outra situação difícil de explicar a quem vive no interior, especialmente em Coari e nos municípios localizados no trajeto do gasoduto Urucu-Coari-Manaus. O gás natural e o petróleo -

de onde o GLP pode ser extraído - é retirado do solo em Coari e passa todos os dias na frente de seis municípios até chegar a Manaus. Mas os moradores dessas cidades continuam pagando mais caro que na capital pela botija de gás. Há uma alternativa que poderia ser aplicada em Coari: a Prefeitura poderia usar parte dos royalties para subsidiar, pelo menos parcialmente, a venda de GLP e outros derivados de petróleo no município. Assim, a população “dona” do petróleo poderia  ser beneficiada diretamente por esse privilégio.

O fato é que, tanto na capital como no interior, algo precisa ser feito para conter o preço do gás, que está atingindo patamares gravosos à população.