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Editorial

Golpe internacional

20/04/2016 às 23:00
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Como parte de uma estratégia para esticar sua saída do Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff decidiu dizer ao mundo que o processo de impeachment a que foi submetida pelo Congresso Nacional é “golpe”. “O que está em questão não é meu mandato apenas, mas a democracia, portanto a vida de cidadãos comuns”, insiste ela. A cantilena, que não surtiu efeito no Brasil, nem freou o ímpeto da maioria dos deputados federais, agora será disseminada em nível internacional como forma de constranger os senadores que vão definir o futuro da presidente. 

Dilma havia cancelado a viagem que faria aos Estados Unidos, mas, decidiu, de última hora, manter a agenda e sua participação em reunião da ONU, onde vai, por alguns minutos, espalhar a idéia de que no País há um “clima golpista” e que as pedaladas fiscais, que serviram para encobrir o rombo nas contas públicas, não são motivo para que ela perca o mandato. “Vou lutar em cada trincheira”, sustentou.

As reações à estratégia traçada pela presidente vieram de forma instantânea. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) reprovaram a tática, reforçando que a própria Corte já analisou o rito do impeachment, mantendo o julgamento, e sustentando que no Brasil há, sim, instituições sólidas, ao contrário do que Dilma tenta espalhar pelo mundo. 

“Ainda que a presidente veja a partir de uma perspectiva pessoal a existência de um golpe, na verdade há um gravíssimo equívoco, porque o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal já deixaram muito claro o procedimento de apurar a responsabilidade política da presidente”, repreendeu o ministro Celso de Mello. 

Economistas também viram na ação da presidente um prejuízo ainda maior ao País, que já enfrenta uma recessão sem precedentes. A fala da mandatária pode passar a investidores a impressão de que o Brasil não é confiável para investimentos. Caso insista na estratégia, o efeito pode ser reservo. Dilma deverá apressar ainda mais sua saída. No Senado, a maioria já se manifestou favorável à cassação. A ONU pode ser a última cartada.