Segunda-feira, 29 de Novembro de 2021
Editorial

Golpe na austeridade


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22/10/2021 às 06:43

O teto de gastos funciona como uma trava, um mecanismo para manter o endividamento do País em um patamar equilibrado, preservando a saúde das contas públicas. A expectativa de que o teto seja rompido pelo governo federal para garantir o financiamento do Auxílio Brasil causou um solavanco no mercado e na própria estrutura do governo; quatro auxiliares do ministro Paulo Guedes reagiram ao furo do teto entregando seus cargos. Embora seja improvável que o próprio ministro abandone o barco, pelo menos neste momento, a busca incansável por verbas para aplicação em fins eleitorais está ficando cada vez mGolpeais cara ao Planalto.  

Caso a medida se confirme, as consequências serão imprevisíveis e podem ir da fuga de investimentos à explosão da inflação, a ponto de neutralizar o valor do benefício a ser pago aos beneficiários do programa federal. Seria o fim da austeridade fiscal, regra consolidada na Constituição e um dos pilares do equilíbrio econômico.  

Vale lembrar que o Brasil já viveu décadas de desequilíbrio financeiro, com inflação nas alturas e  elevada dívida externa. Foi assim do final da ditadura militar – sendo um dos principais fatores que contribuíram para a derrocada do regime - até meados da década de 1990, quando o Plano Real começou a recolocar o País nos trilhos. A partir daí, foram necessários muitos anos para consolidar as bases da nova economia brasileira. Hoje, a despeito do avanço da inflação e da crise econômica instalada, o cenário nacional ainda é muito melhor do que já foi há três décadas. 

Infelizmente, esse equilíbrio, conquistado lentamente ao longo de muitos anos, pode ruir se uma de suas bases fundamentais for demolida. A austeridade fiscal é uma dessas bases, e o furo do teto de gastos será um golpe fortíssimo com danos irreparáveis. A equipe econômica, assim como o próprio Paulo Guedes, sabe disso, daí a reação de ontem, que não foi exagerada. Os demissionários apenas decidiram manter-se fiéis às suas próprias convicções. O Congresso precisa ser pressionado pela sociedade para impedir que tal retrocesso seja efetivado e todo o esforço empreendido em décadas seja posto em xeque. É essencial socorrer as milhões de famílias que sofrem com a crise, mas isso precisa ser feito de maneira responsável.


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