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Editorial

Governo acuado

04/06/2017 às 22:19 - Atualizado em 04/06/2017 às 22:21
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O Brasil mergulhou numa crise sem precedentes e com detalhes de difícil solução a médio prazo que vai exigir de todos os governantes uma dose de criatividade e talento dignos dos nossos melhores craques de futebol.

A operação Lava Jato, que faz o bom combate contra corrupção, deu o start da crise desvendando o novelo de negócios escusos que rondavam a maior empresa nacional, a Petrobras. De quebra, inviabilizou a industria naval, cujas encomendas eram predominantemente feitas pela estatal brasileira de petróleo, e a engenharia pesada brasileira, cujo símbolo maior é a empreiteira Norberto Odebrecht.

O avanço das investigações levou a polícia para o ramo do agronegócio, o pilar sobre o qual assenta-se a economia nacional em seus piores momentos. Ao pegar a empresa JBS, dos empresários Joesley e Wesley Batista, os investigadores atingiram o próprio presidente da República, Michel Temer, que hora comanda uma gestão acuada e com enormes dificuldades para tocar as tão necessárias reformas trabalhista e previdenciária.

Sem as reformas, o empresariado nacional tem enormes dificuldades para tirar o dinheiro do bolso e investir na produção, deixando a roda da economia ancorada no sistema financeiro nacional, o único do mundo capaz de pagar juros estratosféricos e altamente rentáveis para quem não quer por a mão na massa do empreendimento.

Em resumo, o Brasil está em meio a uma crise política que causa uma crise econômica e de quebra vivencia a maior investigação anti-corrupção do mundo ocidental. Gerenciar este cenário exige competência semelhante a que Pelé demonstrou nos campos de futebol.

O pior, contudo, é que não temos no horizonte homens públicos comprometidos com a solução destes problemas que afetam toda a população. O que temos vistos, na verdade, são pseudos salvadores daqueles que nos colocaram neste poço sem fundo da crise.

Neste sentido; onde os políticos vivem num clima de salve -se quem puder; a única certeza que todos deveriam ter é a precisa observância da Constituição. Somente seguindo os dispositivos da lei maior é que vamos ter um governante; seja o atual ou um eventual "tampão", com a legitimidade suficiente para dar os dribles necessários nas crises que vivemos.