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Editorial

Governo de Michel Temer está por um fio

21/05/2017 às 19:31 - Atualizado em 21/05/2017 às 21:08
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O pedido de impeachment que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai protocolar na Câmara dos Deputados contra o presidente Michel Temer é uma pancada determinante na derrocada do atual governo. Não pelo risco de impeachment em si, já que o processo se arrastaria por meses, mas pela pressão imediata que exerce sobre Temer, já encurralado após as delações dos donos da JBS.

Temer esperava que, ao lançar suspeitas sobre a gravação da conversa entre ele e Joesley Batista, a pressão diminuísse em medida suficiente para recompor a base no Congresso e passar a imagem de que o governo não está paralisado e de que ainda conta com apoio suficiente para se manter no poder. Também há a expectativa de que Supremo Tribunal Federal, na quarta-feira, acate o pedido da defesa de Temer e suspenda o processo contra o presidente. O posicionamento da OAB veio como um balde de água fria nesses planos.

A manifestação da OAB é um duro golpe que deixa o governo “nas cordas”. A OAB é uma entidade com prestígio social e um histórico inquestionável na defesa da democracia. Na tentativa de obter um contraponto, Temer busca o apoio de entidades do setor empresarial, como CNI e CNA. Ocorre que, para essas instituições, Temer só é importante na medida em que consegue tocar as reformas, que foram paralisadas pela crise política e, provavelmente, só terão condições de ser retomadas com o fim do imbróglio. A classe empresarial tem essa percepção e dificilmente se manifestará em favor do presidente.

A OAB entendeu que Temer cometeu crime de responsabilidade quando deixou de tomar providências em face dos crimes que ouviu do próprio Joesley – suborno de magistrados e de um procurador. O presidente teria cometido prevaricação, quando o agente público deixa de praticar ato de ofício, ou o pratica em benefício pessoal. Mesmo que a gravação tenha sofrido as alegadas edições, Temer não nega a conversa com o empresário, e o argumento de que não acreditou nas afirmações de Joesley é muito frágil; ainda assim, ele teria que ter agido.

Diante desse cenário, o apoio ao presidente vai implodindo. Uma clara demonstração disso foi o cancelamento de um jantar que ocorreria ontem no Palácio do Planalto. Foram convidados todos os líderes e vice-líderes da base aliada. Poucos confirmaram presença, o que levou ao  cancelamento. Cada vez mais isolado, a determinação de Temer é se segurar no cargo, afastando qualquer possibilidade de renúncia. A saída poderá vir por meio da cassação pelo  TSE no início de junho ou com a denúncia por parte da Procuradoria Geral da República; se for denunciado, terá que se afastar da presidência. Até lá, o País segue paralisado.