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Editorial

Governos ignoram suas responsabilidades

16/08/2018 às 07:07
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A volta do sarampo ao Brasil e, de forma mais direta em alguns Estados brasileiros, como é o caso do Amazonas, demonstra o que acontece quando gestores públicos ignoram suas responsabilidades e secundarizam setores que devem, em um mundo globalizado, ter atenção permanente. Adoecimentos e mortes pelo sarampo, a doença pautada nesse momento, ocorrem mais por conta dessa omissão do que pelo efeito inesperado de um tipo de situação presumida, possível de ser detectada e prevenida.

A ciência produziu condições de os governos adotarem outra conduta e o Brasil, mesmo com atropelos econômico-financeiros, ações equivocadas, conseguiu nos últimos anos manter um nível de estabilidade no controle dessa e de outras doenças com destaque em várias regiões do mundo. O desmantelamento dos programas, a perda de importância das equipes técnicas no aparato público organizacional e o entendimento de que tais quadros estavam superados levaram muito rapidamente o Brasil a viver o drama de agora onde os mais afetados são aqueles que dependem de maior atenção do Estado.

Os procedimentos ora feitos em ritmo apressado demonstram como o descuido pode produzir mais prejuízo, desperdiçar recursos públicos e ampliar o sofrimento das pessoas. Quando setores da sociedade se organizam e protestam contra a precarização da saúde e da educação públicas o fazem também no sentido de sensibilizar os gestores, os governos e a opinião pública sobre o efeito perverso e a longo prazo gerado por esses comportamentos. A sensação deixada para a maior parcela da população é de que os poderes constituídos como esteios da garantia de normalidade, da averiguação e aplicação da justiça e da vigilância dos atos estão em férias prolongadas. Judiciário, Executivo e Legislativo estão em ritmo lento, com olhares direcionados a outros campos enquanto os problemas são acumulados em áreas estratégicas para o País.

No atual cenário, o que mobiliza é o processo eleitoral e sua resistente repetição de promessas, recrudescimento de práticas autoritárias e sinalização, por meio dos discursos de determinadas candidaturas, de um futuro ainda mais retrógrado, violento e desigual, em um quadro em que o País tende a ficar mais doente e retomar os níveis de desigualdade sociais aos patamares do passado com pessoas morrendo por falta de alimentos e de atenção médica integral.