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Editorial

Greve avança e governo se perde

23/05/2018 às 20:48
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As primeiras consequências da greve nacional dos caminhoneiros iniciada há três dias demonstram a ponta do iceberg de uma situação que tende a ter reflexos em longo prazo. Desde ontem voos estão sendo cancelados e o medo do desabastecimento começa a ganhar as mentes das famílias brasileiras. Outros efeitos vêm da especulação com aumento de preços de produtos como gás, querosene, o diesel e mesmo a gasolina que se tornou a peça preferida do Governo Federal para reajustes seguidos.

A tentativa do governo Michel Temer de fechar acordo, ontem, com a Associação Brasileira de Caminhoneiros (Abcam) não obteve êxito. A direção da organização decidiu manter a paralisação acatando a proposta de liberar caminhões que transportem carga viva. Os municípios do Amazonas e de outros Estados da parte Ocidental da Amazônia terão acrescidos à atual realidade mais obstáculos e serão as famílias mais carentes que sofrerão as consequências da greve diante da elevação continua de preços em especial de produtos e serviços de primeira necessidade.

Se antes já havia dificuldade para comprar a botija de gás nessas cidades diante do preço reajustado e do salário desfasado ou mesmo do desemprego, agora o aperto é mais forte. Falta fiscalização que alcance efetivamente os municípios mais distantes o que propicia o abuso de vendedores e revendedores desses produtos.

A greve ganhou a pauta do Congresso Nacional, mas as intervenções feitas ficaram distante do tamanho do problema e mais próximas das disputadas eleitorais-eleitoreiras que contaminam as atividades congressuais neste ano de eleição. A própria conduta governamental demonstra um entendimento enviesado ou no mínimo estranho em relação ao quadro que desestabiliza o País.  Os arranjos feitos pelo governo e seus líderes no Congresso Nacional para tentar paralisar a ação dos caminhoneiros revelam inércia e incapacidade de ação que consiga fechar um acordo com a categoria e traçar uma politica capaz de regular os preços cobrados nessa área. As últimas medidas tomadas pelo governo se constituíram em ‘tiro no pé’ contribuindo para reforçar a proposta de greve e os grevistas ganharem apoio ainda que as consequências sejam ruins para o conjunto da sociedade. Atabalhoado, o Governo Federal aprofunda os problemas e provoca mais revolta popular.