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Editorial

Guerra contra a mentira

04/05/2018 às 22:01 - Atualizado em 04/05/2018 às 22:21
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O novo presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), João Simões assumiu o cargo ontem admitindo que tem pela frente um inimigo dos mais perigosos, a mentira - seja a propagada por meio das fake news, seja por meio de fraudes eleitorais. O magistrado reitera no Amazonas  o esforço que tem sido tomado em nível nacional pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diante da praga que se espalha por meio da internet, notadamente através das redes sociais. 

As próximas eleições prometem ser marcadas pela atuação criminosa de grupos que produzem e disseminam mentiras na rede, aproveitando a falta de critério da média dos internautas, com objetivo de desacreditar oponentes e confundir a opinião pública.

Reconhecer o peso e a extensão da adversidade  é o primeiro passo para estabelecer uma estratégia de combate eficaz. A vigilância constante e apoio das ferramentas disponibilizadas pelo TSE serão fundamentais nessa tarefa. Mas a principal arma contra a mentira espalhada por meio de fake news será o apoio da própria população. Campanhas nacionais de conscientização devem chamar a atenção das pessoas para a importância de desconfiar sempre das notícias que surgem nas redes sociais. Antes de compartilhar a “notícia”, cabe verificar de onde partiu, de que veículo, qual é, portanto, a fonte da informação. Uma atitude simples, mas que tem sido muito ignorada, uma situação que precisa mudar.

Como lembrou o novo presidente do TRE-AM, no tempo que a Justiça leva para tirar de circulação uma notícia falsa, a reputação de alguém poderá ter sido “derretida”. O poder para evitar esse prejuízo - frequentemente irrecuperável - está nas mãos dos cidadãos.

Outro desafio é reverter o desinteresse que a população tem demonstrado pelos assuntos relacionados à política. As pessoas estão desesperançadas pela infindável onda de denúncias, casos escandalosos de corrupção e crimes de colarinho branco. Isso pode se refletir em alta abstenção nas urnas, o que preocupa a Justiça Eleitoral. É necessário um processo de convencimento para mostrar que o poder de mudar esse panorama também é dos eleitores, e que omitir-se apenas contribui para a manutenção do cenário atual. A democracia brasileira, ainda muito jovem, passa por um teste do  qual precisa sair fortalecida.