Sábado, 22 de Fevereiro de 2020
Editorial

Guerra contra o sarampo


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11/02/2020 às 09:50

Há pouco mais de 500 anos, os europeus trouxeram para a América um verdadeiro flagelo, uma arma biológica involuntária que foi decisiva no processo de colonização do Novo Mundo, o vírus do sarampo. Sem defesas imunológicas ou genéticas, os ameríndios experimentaram um índice de mortalidade inédito até então. Houve vários surtos mundo afora, marcados por incontáveis mortes. Só em 1980, estima-se que a doença tenha causado a morte de 2,6 milhões de pessoas no planeta. Em todo o mundo, pesquisadores se dedicaram ao desenvolvimento de uma vacina eficaz. E conseguiram. A doença foi controlada. Foi uma vitória da ciência: a vacinação diminuiu em 75% o número de mortes por sarampo entre 2000 e 2013.

Apesar dos avanços, o sarampo persiste. Tornou-se uma doença relacionada à pobreza, sua presença, hoje, é praticamente um indicador da carência de serviços públicos eficazes de saúde, atingindo principalmente regiões subdesenvolvidas da África e da Ásia. Orgulhoso, o Brasil ostentou em 2016 o certificado de eliminação da doença, emitido pela Organização Pan-Americana de Saúde. Parecia o fim definitivo de um capítulo obscuro na história da saúde pública brasileira. Tudo ia tão bem que as pessoas até esqueceram do sarampo,inclusive as autoridades de saúde.  Mas, em 2018, dois surtos foram identificados, sendo um no Amazonas e outro em Roraima. De repente, o Brasil voltou a figurar entre os países que registram mortes de uma doença que só afetava países como República Democrática do Congo, Libéria, Madagascar e Somália. Em dezembro do ano passado, o Brasil já tinha mais de 13 mil casos confirmados. É um fato! O sarampo voltou! Como isso aconteceu?

Com o sumiço da doença por décadas, baixou-se a guarda. As taxas de imunização caíram. O resultado é que o sarampo chegou ao Brasil, provavelmente trazido pelos imigrantes venezuelanos,  e menos gente do que deveria estava protegida. O frágil equilíbrio epidemiológico foi rompido, do mesmo jeito que vem ocorrendo em vários outros países, com um agravante: a ignorância exacerbada de grupos religiosos que manifestam preconceito contra a vacinação. Agora, uma nova campanha de imunização se inicia. E o maior desafio das autoridades é vencer essa resistência alimentada pela falta de informação e pelo preconceito com base religiosa.


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