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Editorial

Hora de ‘Embalar Mateus’

09/08/2017 às 23:26
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Aos trancos e barrancos, superando as adversidades e a intranquilidades da política, a economia brasileira vai dando alguns sinais de melhora no que diz respeito aos fundamentos macro. Na terça-feira, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgou que a produção industrial cresceu em nove das 14 áreas pesquisadas.

Na passagem de maio para junho, a produção industrial brasileira ficou estável e os melhores desempenhos vieram dos Estados do Rio de Janeiro, com 3,1% de crescimento; Pernambuco, com 1,7%, Minas Gerais, com 1,6% e o nosso Amazonas, com um crescimento da atividade industrial da ordem de 2,8%. 

Sendo um Estado eminentemente industrial, cujo desenvolvimento depende da força do modelo Zona Franca de Manaus, o Amazonas poderia estar comemorando essa retomada, mas na calada da mesma terça-feira o Governo Federal sancionou a lei que, na prática, institucionaliza a guerra fiscal entre os Estados e joga na lata do lixo as vantagens comparativas que o modelo oferece. A lei, aprovada no Congresso Nacional, seria, conforme a promessa dos operadores do governo, sancionada com vetos aos artigos que derrubam a possilidade de todos os estados oferecerem vantagens tributárias. O veto não veio.

As entidades da indústria haviam advertido sobre os perigos dos artigos não vetados e agora devem cumprir a promessa de ir aos tribunais mais uma vez para garantir os direitos do Amazonas consagrados na Constituição Federal. Ou seja, mais uma vez a União atua para prejudicar o Estado que mais lhe paga tributos em todo o Norte.

Além dos empresários, o governo do Estado, em que pese o seu atual caráter transitório, deve imediatamente entrar em ação e reforçar a luta do setor industrial para barrar esse absurdo legal.

Uma outra ponta de luta está no parlamento, onde 10 dos nossos 11 representantes votaram pelo impeachment que colocou no Palácio do Planalto o presidente Temer. Eles agora devem, dentro do jogo político, fazer pressão para que ele entenda claramente os riscos que trouxe para um modelo de desenvolvimento limpo e que permite ao nosso Estado ser o mais preservado do País. Nossos oito deputados federais e dois dos nossos três senadores tem essa importante missão agora.