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Editorial

Hora de inventar

21/05/2016 às 23:09
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É obrigação do poder público incentivar as manifestações culturais e dar apoio aos festivais que já se tornaram marca do povo amazonense. Mas o apoio oficial deveria ser o que o nome sugere: um apoio. Não a principal fonte de receita, sem a qual o evento não se realiza. De outra forma, a manifestação deixa de ser expressão cultural e passa a ser apenas mais um evento do governo. A medida é impopular e frustra as expectativas dos apaixonados torcedores dos Bois Garantido e Caprichoso.

Mas esse cenário também nos leva a algumas reflexões: os eventos culturais de maior destaque no País sempre foram muito dependentes de recursos públicos, mesmo tendo construído marcas fortes cujo licenciamento já garantiria uma fonte segura de receita. Em eventos de tamanho vulto, ainda falta a boa gestão, a profissionalização necessária para garantir a autonomia financeira das agremiações.

Neste ano, o Festival de Parintins celebra mais de meio século de história. O que começou com raízes genuinamente populares, cresceu e se tornou uma das manifestações artísticas mais prestigiadas do País. O evento - que conta com patrocinadores de peso, grandes empresas que emprestam seu nome e fartos recursos para associar sua imagem à beleza da festa - terá sua autonomia posta à prova. Com o anúncio de que não haverá financiamento público à festa, as agremiações terão pouquíssimo tempo para revelar seu real nível de organização. Terão que retomar as origens, deixar de lado o glamour, o luxo, e encontrar soluções simples que podem fazer um festival ainda mais genuíno, menos espetacularizado e talvez ainda mais empolgante.

A realidade econômica do Estado que - diga-se - ainda é bem melhor que a de Estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais - obriga o poder público a priorizar investimentos. A festa popular é, sem dúvida, muito importante, mas nunca terá a mesma importância que a saúde das pessoas e a educação.

Todos estamos sentindo na pele os efeitos impostos pelas dificuldades econômicas que o País enfrenta. No aperto financeiro, é preciso tomar decisões amargas, impopulares, mas, sem dúvida, necessárias. No interior, diversas prefeituras já tinham cortado verba para festas como o Carnaval desde o ano passado. Mas isso não significa o fim da festa, apenas a necessidade de reinvenção.