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Editorial

Hora de verdade para a bancada

10/12/2018 às 07:11 - Atualizado em 10/12/2018 às 07:25
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Em outubro, a população do Amazonas, assim como de todo o Brasil, foi às urnas para escolher seus novos representantes na Câmara dos Deputados e no Senado. Como é comum no período de campanha, eternas bandeiras de luta estiveram presentes nos discursos dos postulantes a uma cadeira no Congresso Nacional. Uma dessas bandeiras foi a defesa obstinada da Zona Franca de Manaus. Pois bem, quando assumirem suas cadeiras em 2019, os novos parlamentares do Amazonas, alguns com recorde de votos, têm como primeira missão contornar o problema que se abateu sobre um dos principais segmentos da indústria local: o setor de concentrados para fabricação de bebidas.

O caso é gravíssimo: trata-se da possibilidade de encerramento do setor na Zona Franca, exatamente aquele responsável pela produção do principal produto de exportação do modelo de desenvolvimento industrial local, e que atraiu e aqui mantém um polo completo de fabricação de bebidas. O fim de tal segmento seria um golpe e tanto para a Zona Franca de Manaus, que aos trancos e barrancos sobrevive há mais de meio século como um dos grandes centros industriais do Norte do País.

A grande falha da Zona Franca foi não ter se tornado independente dos incentivos fiscais mais de cinco décadas após sua criação. Mas essa falha não pode ser punida com o esvaziamento fracionado inaugurado pelo governo de Michel Temer, quando reduziu incentivos do setor de concentrados por decreto, inviabilizando as operações de uma gigante como a Pepsi  por aqui. É fato que a Zona Franca precisa ser repensada e reestruturada, mas isso precisa partir do governo federal, por meio de um programa muito bem estruturado, em parceria com o governo estadual e a comunidade científica, visando o aproveitamento industrial dos potenciais oriundos da própria biodiversidade amazônica.

A simples aplicação da cartilha liberal sobre o modelo Zona Franca de Manaus apenas o inviabilizaria de imediato, sem mais tempo para o reordenamento necessário, mas que não foi feito em mais de 50 anos. Seria o fim de um modelo de desenvolvimento e o colapso da economia amazonense, que depende, fundamentalmente, da indústria incentivada.

É essa quebra brusca que os novos parlamentares, a partir dos primeiros meses de 2019,  precisam evitar a todo custo. Tudo vai depender das canetadas do novo presidente, que veio ao Amazonas e foi carregado, não levou facadas, ao contrário, apenas recebeu carinho de apoiadores ferrenhos que, embora estejam um pouco desaparecidos das redes sociais ultimamente,  trabalharam incansavelmente durante a campanha eleitoral. A nova bancada precisa cumprir seu papel, pressionar e garantir o melhor para o Amazonas.