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Editorial

Hora inoportuna

18/07/2016 às 21:33 - Atualizado em 19/07/2016 às 09:57
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O funcionalismo público, sobretudo aquele altamente especializado, tem uma missão cujo espírito exige dele um elevado estado de conscientização da situação pela qual passa seus mantenedores, no caso o distinto público contribuinte.

Neste sentido, chega a ser uma irresponsabilidade a paralisação parcial dos serviços da Receita Federal, iniciada na última quinta-feira. Nestes dias, conforme avaliação do presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, o prejuízo diário da economia local - leia-se Polo Industrial de Manaus (PIM) - foi de  R$ 220 milhões por dia.

Estamos falando aqui de um modelo de produção e economia que perdeu 40 mil empregos desde que a crise econômica agravou-se no ano passado e experimentou uma retração recorde nos quesitos produção e riqueza. Assim, chega a ser brutal causar um prejuízo dessa monta num momento em que a economia segue cambaleante e com diversos setores experimentando problemas de todas as ordens naturais, que, logicamente agora, são turbinados pela greve dos funcionalismo da Receita Federal.

“Dividindo o valor (mensal) pelo total de  dias do mês podemos ter uma noção do prejuízo diário que a ausência do desembaraço das mercadorias pode trazer ao setor se ele parar totalmente por falta de insumos”, explicou Wilson Périco, alertando para as consequencias danosas dessa paralisação, que por enquanto é parcial, mas que a qualquer momento pode ser definitiva num dos quadros mais bem remunerados da República, bastando para comprovar isso uma boa olhada no Portal da Transparência e ver os níveis salariais de excelência nessa repartição pública.

É claro que todas as categorias de trabalhadores, inclusive os do funcionalismo público, têm direitos a reivindicar melhores salários, condições de trabalho e vantagens individuais, mas o momento é totalmente inadequado em face das agruras pelas quais passa o País, enquanto Nação, e as forças produtivas - empresários e trabalhadores. Não há espaço, neste momento, para arranjos que vão elevar o gasto público para níveis que a arrecadação não comporta. Elevar salários de uma categoria já bem remunerada, neste caso, é tirar o leite da merenda escolar ou remédio da Unidade Básica de Saúde.