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Editorial

Humanos e monstros

09/02/2017 às 21:52
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O Município de Novo Aripuanã (a 225 quilômetros de Manaus) é recorte da realidade brasileira onde ódio, racismo, discriminação e desejo incontrolável de fazer justiça com as próprias mãos são recorrentes e vêm sendo classificado de ‘coisa normal’ com aplausos e incentivos nas redes sociais.

Nesse processo de exacerbação da violência em que é possível perceber pessoas incentivando o espancamento, o lançamento de pessoas ao fogo e ajudando a realizar o ato de selvageria quem é o monstro? Grupos de pessoas riem, aplaudem, fazem coro ao linchamento e reproduzem como grande feito os vídeos sobre essa modalidade de ataque como acaba de acontecer em Novo Aripuanã. Há no Brasil um movimento perigoso que ganha adeptos a cada dia nessa direção. E ao mesmo tempo o imobilismo das autoridades na tomada de decisão estimula a repetição desses acontecimentos.

A violência demarcada por um slogan demagógico de ordem e progresso no âmbito dos poderes executivo, legislativo e judiciário onde o desrespeito aos cidadãos é diário, na forma de medidas impostas, acertos de compadrio feitos escancaradamente e desmonte de direitos sociais seguem em ritmo intenso. Nas ruas, o entendimento é do vale-tudo e vale pela força, pela formação de grupos que têm na truculência a forma única de agir.

Volta-se a tempos medievais, a épocas da história da humanidade onde imperadores e governantes com um sinal determinavam diante de multidões ensandecidas quem deveria morrer. O aparato da Justiça construído a partir de reflexão e necessidade de superação daqueles tempos obscuros está em desmantelamento. No Brasil, o discurso oficial que propugna o armamento da população, a imposição da força de uns sobre outros, a subestimação dos estudos na busca de soluções mais inteligentes e justas no ato da Justiça favorece a criação de justiceiros em Novo Aripuanã, Manaus, Rio de Janeiro, Vitória ou São Paulo.

Enfrentar esse tempo exige a capacidade de mobilização de diferentes setores da sociedade que entendem a gravidade do momento. São esses segmentos que poderão reagir para pressionar os poderes e sensibilizar a população à tomada de posições na defesa de outros caminhos. Que os suspeitos sejam investigados e se responsáveis por atos criminosos sejam julgados e cumpram a pena. O caso de Novo Aripuanã é síntese da monstruosidade compartilhada por humanos.