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Editorial

Igualdade de gênero

03/08/2016 às 09:06
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A questão de gênero no Brasil ainda é pouco discutida e até mesmo entendida em face de uma característica marcante da Latino América: o machismo dominante nas relações sociais, tão bem explicado nos números da violência doméstica contra as mulheres e nos da violência sexual contra as nossas adolescentes.

Portanto é de bom alvitre quando vemos mulheres se afirmando em mercados que por anos foram dominados por homens, como é o caso da construção civil. Hoje A CRÍTICA mostra que elas são capazes de encarar em igualdade de condições a briga pelos esquadros e colheres de pedreiros.

São mulheres como Francilene Calderas, 37, mãe de quatro filhos e que precisou fazer um curso técnicos para atuar nessa área difícil, que exige força e muita resistência, e agora se candidata a uma vaga em obra tocada por organização não-governamental que pretende construir moradias populares em bairros da Zona Norte. “Sei rejuntar, aplicar silicone, um pouco de tudo. A gente tem que a prender, né (sic). Não tem aquilo de “não vou fazer”. Você está ali pra aprender. Porque a gente que é mãe é submissa a tudo. Mãe, pai, tem que fazer tudo pra segurar o emprego, pra sustentar a família”, diz ela a reportagem numa sinceridade poucas vezes vistas em quem está atrás de garantir o pão de cada dia.

Esse tipo de fenômeno é salutar para que todos tenhamos a exata medida do que significa igualdade de gênero, algo que no Brasil há tempos imputa as mulheres salários menores que os homens exercando o mesmo tipo de função.

Essa situação já foi devidamente fotografada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em estudos que comprovam ainda que as mulheres têm uma dupla jornada de trabalho, que corresponde a pelo menos 11 horas a mais de trabalho que os homens nas lides domésticas, para as quais o homem dedicada menos que cinco horas.

De qualquer maneira, fica claro que estamos avançando no rumo da igualdade e talvez a crise tenha sido boa para o avanço. Sabemos todos que a crise, antes de ser algo ruim em si mesmo, ela traz oportunidades grandes para todos os atores sociais se reinventarem e, principalmente, superem gargalos impostos pela zona de conforto onde todos querem estar ad eternum. Não é o caso da mais nova pedreira da cidade de Manaus: Francilene Calderas.