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Editorial

Imobilidade urbana

19/02/2019 às 07:59 - Atualizado em 19/02/2019 às 09:48
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Finalmente, a Prefeitura de Manaus admitiu o que todos já sabiam, arquivando de vez o projeto do Bus Rapid Transit (BRT), tido há poucos anos como a solução para os problemas de mobilidade da capital amazonense. Foi uma longa novela. Inicialmente, parecia que o projeto caminhava bem, como parte das obrigações da capital enquanto sub-sede da Copa do Mundo de 2014. A Copa aconteceu, a Seleção Brasileira sofreu o maior vexame de sua história, e nada de o BRT sair do papel.

Elaborada em 2009, foi orçada em R$ 290,7 milhões pela Prefeitura. A obra prevista para ser entregue antes da Copa sofreu impasses judiciais e questões de inviabilidade financeira. Acabou sendo retirada da Matriz de Responsabilidade do Mundial da Fifa em 2012.

Os problemas de mobilidade em Manaus são crônicos. O crescimento desordenado ao longo de quase três séculos e meio resultou em um sistema viário pouco eficiente. Como todos sabem, basta a obstrução, ainda que parcial, de uma via importante para que a cidade fique praticamente paralisada. A capital precisa urgentemente de soluções que liguem a periferia às áreas centrais com rapidez e eficiência.

O BRT parecia uma boa ideia. Sucesso em várias capitais brasileiras, não saiu do papel em Manaus por motivos que um dia, talvez, sejam plenamente esclarecidos. O fato é que já é passado. E tudo que foi gasto na elaboração de projetos, sem falar nas viagens feitas por políticos e técnicos, inclusive ao exterior, para verificar o funcionamento do sistema, pode-se considerar perdido.

O projeto se foi, mas o problema permanece. Os gargalos da mobilidade urbana em Manaus demandam uma solução. No início do mês, quando o BRT ainda era uma possibilidade, a Prefeitura prometeu duas novas obras no sistema viário de Manaus: um viaduto no bairro Manoa, na Zona Norte; e uma passagem de nível no cruzamento das avenidas João Valério e Constantino Nery, Zona Centro-Sul. Ambos paliativos, os projetos têm gastos estimados em R$ 40 milhões, ainda sem prazo para sair do papel.

Uma questão como essa não se resolve com paliativos e ações pontuais. É preciso elaborar e executar um projeto integrado, factível e eficaz. Algo assim demanda investimentos vultosos e, por isso mesmo, não há margem para erro. Enquanto esse projeto não vem, a mobilidade urbana segue como um dos grandes problemas da cidade, ainda sem expectativa de solução.