Publicidade
Editorial

Impostos e Investimentos

23/08/2016 às 21:25
Show imposto

Há tempos que no Brasil se discute a possibilidade de mudarmos o sistema tributário, diminuindo a carga de impostos que massacra o brasileiro. Essa carga, dizem os especialistas, machuca principalmente o trabalhador, que precisa de quatro meses a cada ano para se livrar deste encargo, que muitas vezes ele não vê retorno na forma de serviços públicos de qualidade ou prestados de maneira incompatível com a necessidade da população. A situação é tal que não há um único ente federado que defenda a criação de impostos na atual quadra politica nacional, o que é extremamente significativo.

Neste sentido, em boa hora o ministro-chefe da Casa Civil do governo interino vem até a boca do pano informar que a área fazendária já bateu o martelo e não haverá aumento de impostos nem neste ano e nem no próximo, deixando em aberto, pela lei do silêncio, que somente em 2018 este assunto poderá voltar a pauta. Se pensarmos que 2018 é um ano eleitoral e nestes governo algum gosta de embrulhar presentes difíceis do eleitor engolir, também 18 passaremos sem a facada do leão nos nossos bolsos. 

O que incomoda nas falas do ministro, contudo, é que para compensar a entrada de novas verbas no erário o governo promete colocar a mão na tesoura e fazer cortes em áreas como segurança e infraestrutura. Está certo que é ficar entre a cruz e a espada, mas num momento em que vivenciamos uma onda de violência em todo o País, reduzir verbas desta área é algo meio perigoso do ponto de vista da estabilidade do tecido social nacional. Em infraestrutura, estradas como ele próprio citou, o problema é elevar o chamado custo de produção do Brasil, que tem na logística um dos pontos quentes a brecar nossa competitividade. Neste particular, contudo, há uma zona de escape com o uso da lei de parcerias público-privadas, que até hoje não foi muito bem aproveitada por sucessivos governo. Transferir para a iniciativa privada a construção da nossa infraestrutura é uma saída, mas ai o governo terá de ser mais criativo nas compensações que irá oferecer.

Outra questão posta na fala do ministro que precisa de atenção de toda a sociedade diz respeito a reforma da previdência social, que hoje é uma bomba a espera de explodir nas mãos das futuras gerações de aposentados. No entanto, governo algum até hoje, colocou na mesa os números reais dessa área crítica.