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Editorial

Incertezas sem fim

08/07/2017 às 15:42 - Atualizado em 08/07/2017 às 15:46
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Quem acha que o tsunami político que tomou conta do Amazonas desde a cassação de José Melo e Henrique Oliveira pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chegou ao fim com a decisão que restabeleceu a realização de eleição direta para governador pode estar muito enganado. Os ministros do TSE retornam às atividades no dia 2 de agosto, quatro dias antes da votação em primeiro turno no Amazonas, marcado para 6 de agosto.

Ocorre que há recursos sobre a cassação de Melo e Henrique ainda pendentes de julgamento no TSE e também no Supremo. São uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade), duas ADPFs (Arguições de Descumprimento de Preceito Fundamental) dois mandados de segurança só no Supremo, sem contar os agravos que correm no TSE.

 E como já foi evidenciado nos últimos dias, qualquer coisa pode passar pela cabeça dos membros dos tribunais superiores brasileiros. A possibilidade de surpresa é permanente. O PTN, por exemplo, ajuizou uma ADPF pedindo eleições indiretas no Estado. E a controvérsia sobre as condições para realização de eleições diretas ou indiretas ainda não foram enfrentadas pelos ministros da corte máxima.

Vale ressaltar que vários advogados defendem a tese de que a decisão do ministro Celso de Melo, do Supremo, que restabeleceu a realização de eleições no Amazonas, também pode cair a qualquer momento. Infelizmente, o povo amazonense continuará vivendo os próximos dias, e provavelmente, os próximos meses, em situação de instabilidade política e insegurança jurídica.

A judicialização da política só trouxe prejuízos ao Estado. O governador interino tenta manter a gestão pública caminhando, mas não há como evitar os efeitos danosos causados pela incerteza política.

Essa incerteza será companheira dos amazonenses, ainda, por um período indeterminado. Vamos esperar que novas reviravoltas não tornem a tumultuar ainda mais o cenário político e que o Judiciário possa se posicionar de forma coêsa, resolvendo de vez o imbróglio que se instalou em nosso Estado. Se é para ter eleição direta, então que se faça da forma mais democrática e transparente possível; se for para ter eleição indireta, que faça da mesma forma. O importante é sair do “puxa-encolhe” para que o Amazonas possa voltar a caminhar com tranquilidade.