Domingo, 25 de Agosto de 2019
Editorial

Inclusão até no céu


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15/07/2019 às 07:45

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que quase 7% da população brasileira têm alguma deficiência física. São os PCDs (Pessoas com deficiência). Apesar dessa fatia considerável da sociedade, é visível a falta de adequação dos equipamentos, prédios públicos e do mercado de trabalho a esse contingente tão significativo de pessoas. Contra essa inércia cruel, iniciativas como a da advogada e cadeirante Nancy Segadilha são exemplos de que não há limites quando existe vontade e determinação em romper barreiras. Nancy não aceitou as limitações impostas pela própria sociedade e pelo pensamento comum. Ela decidiu o que queria realizar, independentemente de outras opiniões, e tornou-se a primeira  tetraplégica a fazer um salto de paraquedas no Amazonas.

E foi apenas mais uma conquista na trajetória inspiradora de Nancy, que é cadeirante há dez anos, sem nunca permitir que a deficiência se tornasse um limitador para seus objetivos. O feito de Nancy mostra que as “deficiências e limitações” ficam circunscritas apenas ao preconceito alheio. Cada um decide o que pode ou não fazer, segundo sua própria visão de si mesmo. Um exemplo e tanto para os milhões de PCDs em todo o Brasil. Uma vitória a ser comemorada por Nancy e por cada um deles que passam a ter um exemplo contundente para se espelhar.

Também é um clamor ao poder público. Quase 7% da população do País são formados por pessoas com alguma deficiência que, infelizmente, são menosprezadas em vários aspectos. O planejamento urbano é feito sem levar em conta as necessidades especiais dessa parcela da população. O mesmo ocorre com obras públicas e edifícios. Manaus, infelizmente, é uma gigantesca demonstração de como não respeitar as pessoas com deficiência.

Não se trata de falta de leis. Por incrível que pareça, os legisladores, em todas as esferas do Poder Legislativo, têm produzido ampla legislação que favorece a inclusão das PCDs. Por outro lado, a aplicação de tais leis é outra história. Muito da legislação atualmente em vigor não passa de letra morta. Um exemplo são as leis para estimular a contratação desse público. Salvo raros os exemplos. As empresas simplesmente ignoram as determinações legais.

São desafios diários enfrentados por quem vive a deficiência todos os dias. Dificuldades que podem ser superadas com a conscientização coletiva de todos. Apenas com investimentos em educação um dia teremos um mundo plenamente inclusivo, onde as limitações físicas não serão limitadores de sonhos. 


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