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Editorial

Inclusão para todos

04/03/2017 às 15:53
Show braile

Perder a visão de uma hora para outra, e ser mergulhado em um mundo de escuridão sem perspectivas de retorno pode ser uma situação desesperadora, capaz de lançar qualquer um em uma vida de amargura e sofrimento. O deficiente visual que não nasceu sem a visão, além de ter que ajustar sua vida à nova realidade, ainda precisa enfrentar o fato de que vive em um mundo despreparado para pessoas com deficiência.

É por isso que exemplos como o de Gilson Mauro Pereira, gerente da Biblioteca Braille do Amazonas (BBAM) são tão significativos. A trajetória de Pereira é a demonstração de que a deficiência, seja qual for, não é impedimento para ninguém abandonar seus sonhos e objetivos. Ele conseguiu, mesmo em uma faculdade sem estrutura para alunos cegos, concluir o curso universitário, qualificar-se profissionalmente, e dar relevante contribuição à vida das pessoas que, como ele, precisam de um ambiente adaptado às suas necessidades.

Infelizmente, as pessoas com deficiência (PCDs) vivem à margem da sociedade no Brasil, especialmente no Amazonas. Temos uma capital sem qualquer planejamento urbanístico, onde nem quem enxerga bem tem calçadas para andar. Para cegos, cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção, a situação é ainda mais crítica.

Legisladores e gestores públicos precisam ter em mente que as PCDs têm os mesmos direitos que qualquer outro cidadão. Assegurar a essas pessoas o direito de ir e vir é uma obrigação do poder público que não pode ser negligenciada.

Manaus precisa ser repensada, não só para PCDs, mas para todos os manauaras. Até agora, os projetos urbanísticos planejados pela Prefeitura de Manaus concentraram-se apenas em algumas zonas da cidade, e mesmo assim, continuam no plano das ideias, sem conseguir sair do papel.

Sinais de trânsito sonoros, rampas e produção cultural preparados para atender pessoas com deficiência são o mínimo que a Prefeitura pode fazer. Com poucos recursos, a Biblioteca Braille consegue fazer muito pelos deficientes visuais, disponibilizando livros e promovendo eventos para pessoas com deficiência visual. Uma atuação louvável, principalmente considerando o atual  cenário econômico de dificuldades. São iniciativas que devem servir de exemplo.