Publicidade
Editorial

Indígenas e eleições

07/02/2018 às 23:04
Show ind

Estimados, hoje, em aproximadamente um milhão de pessoas no Brasil, considerando os autodeclarados, os indígenas do Amazonas encerram hoje, em Manaus, o seminário Direitos Indígenas e Eleições 2018. O encontro de dois dias irá posicionar líderes e organizações indígenas quanto candidaturas e o destino dos votos desses eleitores nas eleições gerais deste ano.

Para chegar ao seminário, líderes indígenas realizaram um longo de trabalho de conversa com outros indígenas, nas comunidades e nas organizações. Professores e profissionais de saúde indígena participantes do Fórum de Educação Escolar e Saúde Indígena do Amazonas (Foreeia) assumiram a tarefa de mobilizar os indígenas em torno das eleições. Esses povos, como afirmaram seus representantes no primeiro dia do encontro, querem estabelecer eixos de compromissos de candidatos com as suas causas, apresentar candidaturas indígenas e programas que deverão ser observados pelos eleitos.

Os indígenas brasileiros fazem parte dos segmentos que ainda hoje têm participação frágil ou nenhuma nos poderes Legislativos e Executivo. A representação rarefeita se dá nos municípios com reduzido número de prefeitos e de vereadores eleitos nas últimas eleições municipais. A dificuldade de acesso ao sistema político do País, as engrenagens político-partidárias e o distanciamento destes à realidade dos povos indígenas criaram mecanismos que são obstáculos reais à participação dessa população na vida do País, na tomada de decisão pelos gestores e legisladores.

O seminário Direitos Indígenas e Eleições 2018 é um passo importante para a retomada do diálogo entre indígenas e não indígenas, dos indígenas com as instituições políticas e partidárias e à elaboração de documentos que irão nortear o movimento indígena nas eleições de outubro. Os líderes indígenas afirmam que os povos indígenas estão hoje dentro de um quadro extremamente crítico que só poderá ser revertido com muita luta, revitalização das ações indígenas e construção de parcerias com setores institucionais para salvaguardar o que está garantido na Constituição.

É na Amazônia que as ameaças têm peso maior pelo fato da região concentrar o maior número de povos indígenas e de outras comunidades, ao mesmo tempo, ser o destino de grandes projetos. A redução das terras indígenas, paralisação dos processos demarcatórios, produção de conflitos, exploração ilegal de madeira, minérios, água, avanço do agronegócio e assassinatos de indígenas e posseiros formam o cenário de guerra que as populações amazônidas vivem e do qual a política se ocupou favorecendo.