Segunda-feira, 17 de Maio de 2021
Editorial

Indígenas na margem da vida


Sem_titulo_2D1CB912-5FFD-4DF9-9539-358DAD9EE776.jpg
20/04/2021 às 08:30

Os povos indígenas do Brasil vivem momento da agudização dos ataques e da expansão da pauperização nas comunidades. Não há um dado novo e positivo nas relações entre o governo brasileiro e os indígenas que possam situar como abertura à implantação de programas voltados ao bem-viver desses brasileiros.

Ocorre exatamente contrário, as decisões tomadas no âmbito do Poder Executivo, no geral, impactam desastrosamente a forma de vida das comunidades e ampliam todas as formas de violências contra esses povos. São projetos destinados à área do meio ambiente que para serem executados exigem deslocar comunidades, limitá-las a um espaço menor, torna-las reféns de grandes empresários e, no conjunto, as ações produzem conflitos com assassinatos seguidos de líderes indígenas.

O movimento “Abril Indígena” coordenado, nacionalmente, pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB chama atenção, a partir de Brasília, para a condição a que estão sendo submetidos os indígenas, reivindica a continuidade da demarcação das terras desses povos e adoção de políticas que obedeçam os dispositivos constitucionais.  A forma de governar reforça a discriminação e o preconceito contra os indígenas, insiste na visão integradora que se realiza pela expropriação dos direitos dos indígenas.

Ser parte da sociedade civilizada, como prega o governo, é projeto antigo das administrações do Brasil cujo dado em comum é a negação às culturas dos indígenas e o não reconhecimento dos valores, das cosmologias e da riqueza contribuição que oferecem à sociedade brasileira, ao desenvolvimento social, biológico e cultural do país. Os modelos integracionistas destinados aos indígenas têm a marca da repressão, do assujeitamento e da violência aos povos originários.

Os que moram nas cidades são cotidianamente submetidos à usurpação da dignidade humana. Se os direitos, dentro das comunidades estão sendo escasseados e negados, no meio urbano, esses desaparecem impondo relações de brutalidade. A desigualdade apresentada em escalada nesta pandemia tem a versão pesada para os povos indígenas que, em vários expedientes, foram tratados como povos ignorados na tomada de providências pela autoridade nacional, em tempo hábil para ampliar medidas de proteção e de cuidados médicos aos que deles necessitassem.

O “Abril indígena” chama atenção da sociedade brasileira e mundial para as condições de vida dos indígenas, os projetos ameaçadores e o silêncio do governo diante de atos concretizados nas comunidades e, pela voz indígena, mantém a marcha para buscar o diálogo, apresentar propostas e resistir e continuar existindo.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.