Publicidade
Editorial

Indígenas Venezuelanos

08/05/2017 às 21:44
Show venezuelanos05555

A dignidade humana e os tratados sobre refugiados aos quais o Brasil colocou sua assinatura não podem mais permitir que os indígenas venezuelas que sigam sobrevivendo em condições desumanas no gramado da Rodoviária de Manaus.

Se já não bastasse a condição de refugiados, que saíram de seu pais de origem por conta de perseguição ou estado de miséria profunda, estes irmãos de sangue convivem com o frio, a umidade e as constantes chuvas típicas deste período em Manaus. As condições são totalmente insalubres para tantos adultos e crianças indígenas.

A indigência da situação chamou atenção agora do Itamaraty, que ontem prometeu  “fazer um diagnóstico da situação dos 350 índios venezuelanos, da etnia Warao, que estão acampados desde dezembro do ano passado”. Na semana passada, a prefeitura já havia, por recomendação do Ministério Público, decretado estado de emergência social por conta da migração intensa deles para Manaus. Com essa providência, credenciou-se a receber ajuda do governo federal e seus canais diplomáticos e assistenciais, pois é a União que torna o País signatário dos acordos internacionais que protegem tanto indígenas quanto refugiados de um modo geral.

Ressalte, contudo, que esse fluxo migratório ocorre por conta da brutal  crise política e econômica na Venezuela, que empurra seus cidadãos para outras terras em busca de dias melhores e condições mais favoráveis. Antes de discriminarmos, portanto, devemos estender nossa solidariedade a essa população.

 Sobre a situação em sí, o Ministério das Relações Exteriores já identificou que a porta de entrada dos venezuelanos é o  Município roraimense de Pacaraima, que faz fronteira com o município venezuelano de  Santa Elena do Uiarén. Inicialmente  eles atravessam a fronteira com o plano de se estabelecer em Boa Vista, a capital de Roraima que já convive com este forte fluxo migratório há dois anos. As ruas de Boa Vista, inclusive, estão tomadas por grupos migrantes que vivem de pedir esmolas nos sinais e nas esquinas, criando na polícia local a suspeita de que esses venezuelanos são vítimas de tráfico de pessoas feitas por quadrilhas asiáticas especializadas neste tipo de atividade criminosa. Manaus agora está nessa rota.