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Editorial

Inferno na Cidade de Deus

31/01/2018 às 21:52 - Atualizado em 01/02/2018 às 11:48
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Os moradores do bairro Cidade de Deus, na Zona Norte vivem um inferno diário com as vias intransitáveis e constantes alagamentos, sem falar na violência que torna os moradores reféns do medo. A situação de algumas ruas é tão ruim que se torna impossível o tráfego de veículos pesados. Isso significa ficar sem coleta de lixo e com o transporte coletivo comprometido. Onde o ônibus não entra mais, os usuários precisam percorrer longas distâncias para ter acesso a transporte.

Os problemas do bairro são tantos que os moradores,  em ato de protesto, resolveram plantar bananeiras nas crateras abertas em via pública. As plantas cumprem dois objetivos: chamar a atenção para a situação precária das ruas e alertar os motoristas a respeito dos buracos para evitar acidentes. Poder contar com ruas trafegáveis é o mínimo que os contribuintes têm o direito de exigir.  

Ao que tudo indica, as circunstâncias que deram origem ao nome da comunidade continuam atuais. Na década de 80, quando surgiram as primeiras invasões naquela região da cidade, as famílias que lá se instalaram já lutavam contra a falta de infraestrutura e segurança. Os mais velhos lembram que o sentimento geral era que a comunidade estava “entregue a Deus”.

Hoje o cenário por lá não é muito diferente. Infelizmente, o panorama de abandono que se vê no bairro Cidade de Deus se repete em praticamente todos as comunidades mais afastadas, principalmente nas zonas Leste e Norte.

Mas o caso da Cidade de Deus é especial. A comunidade precisa de intervenções urgentes do poder público em várias áreas: segurança, urbanização, abastecimento de água e de energia, entre outros. No caso específico da energia, chama atenção o excesso de ligações clandestinas, mas é importante ressaltar que elas são mais intensas nos locais onde não há abastecimento regular. Os moradores buscam a energia como podem.

O mesmo ocorre com o abastecimento de água. Muitas famílias ainda são servidas por sistemas alternativos; quem consegue manter um poço artesiano vende água para os vizinhos. Esse sistema se mantém há muitos anos sem expectativa de mudança.

A Cidade de Deus precisa da presença do poder público para que os moradores passem a viver com um pouco mais de dignidade.