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Editorial

Inflação do feijão

06/07/2016 às 19:41
Show feijao

A vida do brasileiro nos últimos dois anos não tem sido fácil, pois quase simultâneamente encara a crise econômica, que traz desemprego e redução da renda; a crise política nacional com troca de presidente com o barco ainda sem rumo certo, juros altos, redução no crédito, inflação  acima da meta e agora a quebra da safra do brasileiríssimo feijão, amigo fiel e escudeiro do arroz no principal e predileto prato do brasileiro.

De acordo com a pesquisa do  Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) o preço do feijão aumentou 27,33% em apenas um mês e essa alta está fazendo com que famílias inteiras de manauenses mudem hábitos arraigados de consumo para manter o prato atrativo e nutritivo para todos da casa. Segundo o Dieese, em maio era possível comprar o quilo por, em média, R$ 6,00, valor baixo que faz do feijão um dos alimentos mais populares no Estado, mas hoje o preço alcançou na maioria dos estabelecimentos comerciais o valor estratosféricos de R$ 10,00.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Amazonas (Faea) avalia que o aumento, desproporcional para está época do ano, acontece em função das mudanças climáticas nas regiões produtoras do Sul do País. Presidente da entidade, Muni Lourenço lembra que as safras paranaense e mineira, onde está concentrada a maior parte da produção, quebraram por conta do clima. “O excesso de chuvas nas regiões produtoras está impedindo a produção. Este valor vai permanecer alto no segundo semestre deste ano”, diz Lourenço hoje em A CRÍTICA.

Com essa alta, a inflação do feijão vai acabar refletindo na inflação geral do País, que o Ministério da Fazenda e o Banco Central fazem de tudo para devolver para o límite máximo da meta fiscal, que é de 6,5%. Os preços em geral estavam convergindo para isso, mas essas sazonalidades do agronegócio brasileiro podem atrapalhar os planos do governo, até porque não é só o feijão que deu este salto, embora no Amazonas ele tenha sido mais expressivo. Manteiga tambem aumento, assim como o milho, que é essencial para garantir a produção no Amazonas de outro alimento básico na mesa local, o ovo, que é até hoje o único alimento no qual somos totalmente auto-suficientes na produção.
Neste sentido, é preciso mudar mesmo os hábitos e passar a buscar, por exemplo, o feijão preto, cujo preço é mais em conta.