Sexta-feira, 04 de Dezembro de 2020
Editorial

Inflação pesa para os mais pobres


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29/10/2020 às 06:49

Os consumidores mais jovens estão entrando em contato com uma realidade muito conhecida de quem viveu nas décadas de 1970, 1980 e início da década de 1990. Até agora, inflação poderia ser um termo meio estranho para esses consumidores, mas nos últimos meses o peso da desvalorização da moeda se fez sentir, principalmente no orçamento das famílias mais pobres. Inflação é um fenômeno normal e até necessário para a saúde de qualquer economia. Ela só se torna um problema quando, afetada por fatores extraordinários, cresce de maneira acentuada, e às vezes descontrolada, podendo corroer o valor de moeda a ponto de inviabilizá-la, como já ocorreu algumas vezes na história do Brasil. Que o digam os falecidos cruzeiros e cruzados.

Quem viveu nos difíceis anos da hiperinflação sabe como era difícil manter as contas em ordem. Era um tumulto permanente. Como o salário que se recebia pela manhã poderia valer menos – ter menos poder de compra – à tarde, muitas famílias compravam imediatamente tudo que podiam. O dia do pagamento era também o dia de enfrentar tumultos em supermercados. O dinheiro se desvalorizava de um dia para o outro.

Ainda estamos longe de um cenário assim, mas a disparada nos preços dos alimentos fez a inflação percebida pelos brasileiros mais pobres mais do que triplicar em relação à dos mais ricos em 2020. É um dado preocupante. De janeiro a outubro, a inflação das famílias de renda muito baixa foi de 3,68%, enquanto a da alta renda ficou em apenas 1,07%.

Considerados apenas os alimentos consumidos nos domicílios, aqueles comprados em supermercados, o avanço de preços no ano foi de 12,69%. Especialistas concordam que a inflação só será contida com o reequilíbrio da economia nacional. O auxílio emergencial faz parte desse contexto, pois criou uma situação de renda nas famílias mais pobres que tem pressionado os preços dos alimentos.

O fim do auxílio em dezembro terá impacto no nível de consumo, mas exigirá medidas do governo para fomentar a economia, gerar empregos e compensar a retirada do benefício. Espera-se que essa projeção esteja no horizonte da equipe econômica. Manter a inflação sob controle tem que ser uma das prioridades de qualquer nação que pretenda sair da crise e voltar a crescer.


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